domingo, 5 de março de 2017

Pousada Refúgio da Vila, Praia do Forte, Bahia


A Praia do Forte mudou muito nestas últimas décadas, mas fora da alta temporada fica perfeita.

"Gostaria de um mapa?" me propôs o atendente da agência locadora. Quando disse que sim, ele perguntou: " Qual? o de Salvador ou da costa norte?" . "Estamos indo pra Praia do Forte," respondi. O atendente se agachou e olhou na gaveta. " Sinto muito, este eu não tenho." " Então me dá o que você tiver," me resignei. O jovem olhou novamente dentro da gaveta e balançou a cabeça com um sorriso terno: " Ihhh, xente, também não tenho esse aí, não..."

O centrinho com a igrejinha, como era antigamente

Esta cena ocorreu há cerca de 20 anos atrás, mas ilustra perfeitamente o estado de espírito baiano. E desde então, cada vez que piso na Bahia, entro no mesmo clima. Mapa hoje é um instrumento em desuso ( embora considero que pode ser uma salvação muitas vezes!) e o GPS dita o caminho  até a  Praia do Forte, que  foi uma das  minhas primeiras paixões nordestinas. E, posso dizer que perdi a conta das vezes que fui pra lá, e cada vez eu queria ficar mais. A gente ficava numa pousadinha à beira-mar, que infelizmente não existe mais...
Pescador solitário na maré baixa

Como acontece sempre no Brasil, a cada vez encontro o lugar diferente, as mudanças surpreendem e nem sempre agradam, mas sempre se dá um jeito de relaxar debaixo de um coqueiro, saborear uma água de côco ou uma caipirinha. A praia continua linda, mas a vila perdeu um pouco da ingenuidade que a abençoava . Virou foco de turismo internacional, o que é bom, mas perdeu em carisma... E´ aquela figura simpática do vendedor de queijo coalho assado na hora  (quem resiste?) , a imagem da descontração típica baiana, o pescador que se isola numa rocha na expectativa de um dia produtivo...O mar quente, onde você pode se sentar por horas e até perder a hora, até porque na Bahia essa coisa de hora não tem vez.

Ninguém quer sair de uma praia dessa, com piscinas naturais quentinhas...



Pousada Refúgio  da Vila e a piscina aninhada num belo jardim.

O acesso pra Praia do Forte ficou até mais fácil. A Rodovia do Côco está com bom asfalto e surpreende como você consegue percorrer os 60 quilômetros que a separam do aeroporto em cerca de uma hora e pouco. Hoje a vila está bem organizada, com um comércio selecionado, boas butiques, algumas grifadas,  e bons restaurantes. Grande parte virou pedestre, o que cria automaticamente um ambiente descontraído para se perambular dia e noite.

A primeira coisa que se tem que fazer é escolher uma boa pousada dentre as dezenas de ofertas que existem hoje em dia. A Pousada Refúgio da Vila, que pertence à cadeia Roteiro de Charme, é uma das melhores, embora não fique pé-na-areia. Mas, como infraestrutura, serviço e comida, é excelente. E fica a dois passos do centrinho onde você vai comer, comprar e passear quando não está na praia. Não faltam barracas vendendo  lembrancinhas e objetos de artesanato em madeira e palha para você não voltar pra casa de mãos vazias.


Embora o mar seja manso, as águas ficam a critério da maré e quando ela está em alta nem é bom se aventurar. Há muitos corais e o fundo de pedras é traiçoeiro. A melhor coisa que existe por lá são as piscinas naturais que se formam com a maré vazante e duram horas e horas...Só que é preciso chegar até elas e isso fica bem a uns 15 minutos de caminhada. A melhor piscina é a Papa-Gente, a cerca de 5 quilômetros do centro da vila. Chegando lá, tem de tudo: a baiana do acarajé feito na hora, vendedor de côco, barraquinha de caipirinhas e todo tipo de bebidas, ambulante vendendo castanha do cajú, sorvetes e empadinhas. Até guarda-sol pode ser alugado lá, com direito a cadeirinhas de praia. E fica tudo seguro.

Projeto TAMAR foi desenvolvido na Praia do Forte

Se estiver com preguiça de andar, então  o jeito é ficar na praia ao lado do Farol, e onde também fica localizada a sede do  Tamar, que é o local onde foi criado o projeto do mesmo nome, renomado mundialmente, que deu  origem à preservação das tartarugas marinhas na costa brasileira.

Além da praia, dá pra fazer umas caminhadas por trilhas bem selvagens pela Mata Atlântica, para chegar até um forte antigo, chamado Garcia D´Àvila, construído em 1552. Quem estiver em forma pode se habilitar a ir de bicicleta ( alugam-se na vila) ou até mesmo a cavalo ( também há programas organizados que oferecem passeios pela redondeza), e saborear a vista lá de cima sobre todo a extensão do coqueiral que alinhava a praia.
Praia próxima da vila e do Farol e do TAMAR

quarta-feira, 1 de março de 2017

Pousada Recanto da Pedra, Pedra Azul, Espírito Santo, Brasil

Alguém sabe dizer como se chama esta formação rochosa? E onde fica? Respostas: Pedra do Lagarto, Pedra Azul, Espírito Santo...
O brasileiro tem uma certa mania de rotular os lugares, ou melhor dizer, os Estados,  como sendo este é para "ir à praia" e este para" ir à serra". E fecha outras maneiras de explorar o território. Trocando em miúdos, o nordeste é sinônimo de praia e ninguém pensa em outra coisa, assim como o sul e centro-oeste é apenas montanhas. Legal é pecar por excesso.  Eu já fui à praia nas proximidades de Cuiabá e subi a mais de 1000 metros acima do nível do mar no Rio Grande do Norte. São nichos magníficos que o Brasil resguarda e que nem sempre são valorizados ( ou divulgados)  como deveriam ser , porque de uma maneira ou de outra foram estigmatizados.

Paisagem bucólica da serra capixaba, a poucas horas de Vitória

Uma corda sempre ajuda. A subida ainda vai, na descida é que são elas...


Vamos lá: frequentadíssimo nos meses de verão, o litoral capixaba com suas areias divinas (e sua moqueca de siri catado) não é a única atração turística do Espírito Santo. A região serrana é tão convidativa quanto as praias ensolaradas e oferece atrativos naturais como ar puro, temperatura amena, sossego garantido e uma boa infra-estrutura hoteleira. Para os adeptos do ecoturismo, nada melhor do que explorar a região de Domingos Martins, situada a menos de 100 quilômetros de Vitória, para conhecer o Parque Estadual de Pedra Azul, famoso pelo cenário deslumbrante desta pedra, também conhecida como Pedra do Lagarto, devido ao formato esculpido naturalmente na pedra, que dá a nítida impressão de um enorme inseto escalando a montanha. 



Piscinas naturais, a recompensa depois de uma caminhada morro acima

Bem, o que você vai fazer lá. Resposta óbvia: trekking na montanha para chegar até as piscinas naturais escavadas na rocha, onde a água gelada é um refresco para os músculos cansados. Chegar lá não chega a ser aterrorizante porque não se trata de escalada, é trekking. Moderado, até. Nem precisa estar muito em forma para se divertir. Só precisa estar prevenido.Leve na mochila água, protetor solar, repelente,um lanchinho ( nem sempre você vai encontrar amoras selvagens pelo caminho), e não vá sozinho. Em alguns trechos eu me apavorei, confesso.  Mas isso porque tenho pavor de altura. A amiga que me acompanhava saltitava que nem cabrito montanhês, e isso me deu coragem pra encarar a descida. Encarar, não, porque desci de costas. 



Vista cinematográfica sobre o vale e as montanhas ao redor. O "lagarto" sempre surpreende, de qualquer ângulo

Pousada Recanto da Pedra, repouso do guerreiro!
Após uma caminhada de uma hora por uma trilha estreita, rodeada por uma vegetação exuberante, é preciso criar coragem para escalar uma rocha íngreme, muito embora haja uma corda para ajudar os mais cautelosos. No topo, a recompensa: um banho nas águas geladas daquelas piscinas naturais, com direito a se debruçar sobre um panorama de tirar o fôlego a mais de mil metros de altura. Nos arredores do Parque, pequenas e charmosas pousadas compõem um cenário alpino onde a temperatura pode despencar até zero grau nos meses de inverno.
Afinal, porque não tentar escapar das temperaturas infernais deste verão e se escaldar debaixo de um sol a mil metros de altitude? Vai pegar um bronze anyhow...Ainda mais se ficar lagartixando na pedra, imitando a formação rochosa...



Como é uma área ambiental, é possível observar dezenas de tipos de aves, além do macaco-barbado e outras espécies da fauna brasileira. Quem planeja passar um final de semana tem uma boa opção de localização e hospedagem no Recanto da Pedra, bem localizada no pé da entrada do Parque e com acomodações simpáticas e bem decoradas.Aliás, lembro bem que foi no jardim da pousada que vimos dúzias de macaquinhos brincando nas árvores, um show à parte.


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Derag Living Hotel de Medici, Dusseldorf, Alemanha

Cartão postal da cidade, onde à beira-rio o pessoal costuma se reunir pra pedalar, caminhar e relaxar

Já fazia um tempinho que não pisava em Dusseldorf...Nem me lembrava de nada. Mas, como estávamos a caminho da região do Reno, valia a pena passar uma noite nesta cidade. Até porque o motivo principal pra gente pernoitar lá era pra comer um joelho de porco, o tal "eisbein ",  num dos restaurantes mais antigos da cidade. Vai, tem gente que galga distancias pra conseguir satisfazer a pança...


Então, entrei no booking e de cara me apeteceu um hotel cujo final terminava em Medici. Dava um ar de grandeza, respeitabilidade, sei lá...Afinal, porque um ilustre nome de família nobre italiana num hotel alemão? A tarifa era razoável para os padrões de cidade e dizia lá que eles tinham inaugurado há pouco tempo. Um mês atrás, pra ser mais preciso.
Suíte aconchegante do Derag

Pátio interno do hotel

A escolha foi boa. A Shirley ( desculpe, é mania de chamar a voz que sai do GPS de Shirley...é que às vezes " ela " me irrita) acertou bonitinho os ziguezagues típicos pra se entrar no centro e Dusseldorf e sem enigmas entramos no pátio interno do tal cinco estrelas que tem até uma fachada bem discreta, Mas, nada discretos eram alguns dos carrões estacionados bem na frente da portaria, tipo Porsche, Mercedes, Ferraris...Pensei com os meus botões que com o nosso calhambeque, eles iam mandar a gente estacionar no parking da esquina, pra não fazer feio.
Qual foi minha surpresa quando nos deixaram parar ali no recinto, com a maior amabilidade. Fiquei bem impressionada e gostei do atendimento. O hotel realmente cheirava a novo, o quarto era ótimo com todos os guerigueris modernos, um banheiro clean, pequeno mas perfeitamente funcional. Fora uma cama ótima. Gostei. Mas, o melhor de tudo é que o Derag fica praticamente dentro da Alt Stad - cidade velha, centro histórico, ou seja, também a poucos minutos a pé do movimentado rio Reno, onde o pessoal gosta de passear no final do dia, observando o movimento das embarcações.

Ou seja, pode deixar o carro estacionado dentro do recinto do hotel ! Coisa boa...sai pelo portão e você já está dentro da cidade velha, toda de pedestres, a passos dos restaurantes, bares, e comércio em geral. Ah, o que não falta são as choperias, com povo do lado de fora entornando litros...Todo uma atmosfera genuinamente germânica, A boa notícia é que se pode tomar chope a vontade que depois você não vai dirigir, volta andando pro hotel.




Além de boas compras ( sapatos, por exemplo, vale a pena...) ,  curti muito uma feira livre nas imediações, onde vendiam todo tipo de salsicha...Quem resiste? E frios que você nem sabia que existiam. Mas, afinal, é Alemanha, né?



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Hotel Cocoplum Beach, San Andrés, Colômbia



Navio encalhado é um ícone de San Andrés

Vai ser engraçado contar sobre um lugar que não ficou registrado na memória com louros - muito pelo contrário - acho que o grande culpado foi mesmo...o tempo ruim. Ou seja, numa ilha do Caribe, em plena América Central, onde as coisas tendem a ser precárias ( instalações do hotel, por exemplo...) quando chove sem parar, você faz o que??

Vista da nossa suíte do Cocoplum

Ainda mais de frente pra uma praia semi deserta, onde realmente no (único ) dia em que apareceu o sol e o céu ficou azul, se tornou um lugar bárbaro, onde me estiquei numa espreguiçadeira e passei o dia tostando debaixo do maçarico...
 Até me animei, achando que nossa sorte ia mudar, mas em seis dias tivemos 4 de chuva intensa. Sair do Brasil pra ficar vendo tevê num quarto de hotel, a  milhas de distancia, bem frustrante.




Quando o sol aparece, a paisagem retoma todo o colorido

Tá, o visual é lindo, parece um cartão postal caribenho, mas só mesmo quando a meteorologia colabora. Eu tinha escolhido esse lugar paradisíaco em abril, sem me dar conta de que nesta época a região é fatalmente nublada a maior parte do tempo.
Um cantinho aconchegante do Cocoplum - na praia

Mas, entre ficar trancafiados dentro do quarto - aliás, uma suíte bem confortável no Cocoplum Beach, um hotel três estrelas bem situado e com boas intenções. Infelizmente, a comida não era boa - quando muito, razoável - o café da manhã parecia uma cantina,  e o hotel não tinha um lobby onde a gente pudesse ficar...quando chovia canivetes.
Quando parecia que ia melhorar o tempo, a gente saía do hotel pra explorar a ilha. Alugamos um utilitário 4x4 daqueles pequeninos, sem porta, só com uma lona como teto. E saímos rodando. Estrada única, esburacada, parando em vários pontos, algumas praias, porém o que me chamou mais a atenção era justamente a falta do que ver, nenhum vilarejo charmoso ou algo pitoresco.
Cocoplum é, de fato, um dos trechos mais aprazíveis de San Andrés. Tem um navio encalhado que é um visual peculiar, e que era a paisagem bem diante do nosso hotel. Tem gente que vai até lá de barco e aproveita pra mergulhar.



Beirando a estrada principal, as praias se alinham e estão sempre cheias nos finais de semana

Casebre abandonado - sobras do furacão

Uma manhã a gente se animou mesmo e fomos alugar uns jetskis pra dar um passeio até uma ilhota próxima. Um guia veio com a gente, felizmente, porque aqueles jetskis não eram de confiar. O do próprio guia enguiçou no meio do caminho...Coisas de San Andrés, onde parece que esqueceram  de fazer manutenção na infra.
Porém, é preciso lembrar que poucos anos antes a ilha tinha passado por um furacão. Mas, anos antes. Deveriam ter investido na recuperação, pois a impressão em muitos lugares é de abandono...Uma pena, pois na essência San Andrés tem seu charme. A água é translúcida, quentinha e a praia, pelo menos a de Cocoplum, um encanto.  Com sol.
Pelo menos, o spa do hotel era legal. Nos dias de chuva, fora ficar vendo como a bela paisagem se abalava debaixo da torrente de água, relaxávamos com uma boa massagem.
Ou seja, pelo menos uma coisa é certa: abril não é uma boa época do ano pra se passar férias no Caribe. Certamente numa outra data a gente teria curtido muito mais, pois uma ilha ensolarada, com uma praia estendida diante do hotel, em que você desliza diretamente da cama pra areia branca, não deixa de ser uma coisa boa. Enfim, nem sempre se pode acertar todos os quesitos. Cocoplum ficou na memória, mas não para celebrar aniversário.

Cocoplum é uma parte mais tranquila da ilha, mas ainda com muitas marcas do furacão

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Lady´s First Design Hotel, Zurique, Suíça


Só pro sexo frágil!

Elas batalharam tanto para serem tratadas “que nem homem” e agora o que a mulherada curte é gozar de um cantinho exclusivo, com tudo diferenciado e discriminado, onde macho não entra nem de fininho – e nem mesmo de filhinho.


E, por favor, não imaginem que se trata de algum tipo de hostel, ou organização beneficente, onde pode existir, de fato e por motivos práticos, uma segregação entre os gêneros. Nada disso: quem oferece a regalia em geral são estabelecimentos estrelados, de renome e grife.
Zurique é bem cosmopolita, terra do chocolate Sprungli na Banhoffstrasse ( quem nunca comeu este manjar dos deuses que o faça imediatamente quando chegar na cidade, porque nunca mais vai querer outra coisa quando se trata do quesito). Mas, prepara o troco, porque pelo sim, pelo não, compra meio quilo (custa uma nota preta) e  juro que não vai se arrepender. Ainda mais se você estiver solteira, que dá aquela vontade de comer chocolate e resolver curtir um pouco um clube de luluzinha. Outra vantagem ( do hotel, não do chocolate), saiba que está bem pertinho de uma outra atração zuriquense - o lago. Bem bonito fazer caminhadas, mesmo no inverno...Os cisnes estão sempre por perto, ornamentando a paisagem.



No butique design hotel Lady´s First  em Zurique, na Suíça, tudo é helvéticamente discreto , desde a fachada do prédio, a entrada e o lobby.  O décor é uma mescla entre o  austero, o clean, o moderno e o simétrico. Quando abriu as portas, há mais de uma década, o hotel era exclusivamente para senhoras. Porém, com o passar dos anos, cedeu às pressões (só que nem mesmo a diretoria consegue explicar ao certo de onde vieram estas pressões) e hoje mantém apenas o 4º andar com 4 suítes como um Lady´s Floor. 




Nos quartos em estilo mansarda, tem tv de plasma, wi fi e, claro,  todos os apetrechos indispensáveis no banheiro. Tudo impecável. E é justo no quarto andar que fica também o wellness center onde, aí sim, só entra luluzinha. Lá dentro, podem perambular pelo hamman, relaxar na sala de repouso e tomar banho de sol no terraço sem se preocupar com a aparência. Quer coisa mais gostosa? E caso alguém queira armazenar algum mancebo para passar a noite, precisa se mudar para um andar misto... Antes das 23:30, que é quando a concierge passa a chave no trinco da porta de entrada.

roupões felpudos distribuidos no spa



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Nira Alpina, St Moritz, Suíça


O White Turf ( Turfe Branco) é um evento equestre de âmbito internacional, que se realiza anualmente desde 1907 em St.Moritz, uma estação de esqui suíça mundialmente famosa, localizada no cantão dos Grisons.
E´ meio dia de um domingo de fevereiro e o termômetro marca 13 graus abaixo de zero. O céu está encoberto e de quebra sopra uma implacável bise, nome que se dá ao vento gelado que entranha nos ossos.  Mas, nada disso parece ser o bastante para desmotivar qualquer pessoa no meio da multidão de espectadores entusiasmados que se aglomerava em volta do hipódromo montado encima do lago congelado de St Moritz. 




Prova de skikjoring, a mais emocionante de todas!
O motivo? O “ White Turf” ( turfe branco ou turfe na neve) tradicional e espectacular evento esportivo  que se realiza há mais de um século nesta sofisticada estação de esqui suíça. Os três últimos domingos de fevereiro marcam a ocasião em que centenas de pessoas, entre competidores, turistas, aficionados e jornalistas de vários países, comparecem para prestigiar este acontecimento único no gênero e palco para uma competição equestre de rara beleza.

Os competidores oriundos de toda a Europa vem disputar importantes prêmios em dinheiro, pois o evento conta com patrocinadores de peso, como Piaget, BMW e alguns bancos suíços. Isto garante ao cavalo vencedor a quantia de 100 mil francos suíços, a maior premiação da temporada, numa prova clássica e convencional de dois mil metros. Por outro lado, o “turfe branco” conta com outras tres modalidades bem menos convencionais : a  “Trabrennen”, uma corrida de 1900 metros com levíssimos trenós puxados por um trotteur, cavalo trotador que entra em fase de treinamento já adulto e participa exclusivamente deste tipo de prova. Cada jóquei fica acomodado num pequeno assento e encontra o seu equilíbrio apoiando os pés nos estribos da estrutura. Uma terceira prova, a “Hurdenrennen”,  é uma belíssima corrida com obstáculos na pista.
Ski-in/ski-out é privilégio de quem se hospeda no Nira Alpina



St. Moritz pode ser considerado uma celebridade em si. Porisso, você pode contar as estrelas do firmamento quando se trata de hospedagens de luxo na região da Alta Engadina. Tem a rodo.  Mas, o que faltava era um hotel ski-in, ski-out e o Nira Alpina surgiu recentemente no cenário para a grande alegria de quem adora acabar o café da manhã, calçar os esquis e ser um dos primeiros a estrear a pista.
Cenário alpino desde o Nira Alpina

 Lá de cima, você está ao pé do Mt. Corvatsch, a 1870 metros de altitude, e a apenas 5 quilômetros da cidade.  Na suítes mais altas, a vista se debruça sobre um cenário feérico. Este hotel, membro da cadeia Design Hotels, também é reputado como templo gastronômico. Note que até do spa você tem vista privilegiada - leia-se um tapete de neve desde a piscina aquecida. Ainda assim, deixe a sua suntuosa suíte por algumas horas e vá ver o turfe de pertinho, misture-se com toda a gente e deixe-se imbuir pela atmosfera, porque é um espetáculo que merece ser apreciado nos mínimos detalhes. 
O cenário que emoldura a prova é cinematográfico...

Sem dúvida, o ponto culminante de todo o “White Turf” é mesmo a prova de “skikjoring”, modalidade na qual os jóqueis são nada menos do que esquiadores puxados por cavalos, atingindo uma velocidade de pico de até 50 km/hora. Embora pareça uma brincadeira de criança, a prática de “skikjoring” requer dos competidores habilidade, coragem e competência, pois é uma prova bem perigosa, principalmente no momento da largada e durante a primeira curva, quando todos os esquiadores se acotovelam para obter uma posição mais avantajada. Qualquer descuido resulta numa queda no meio da tropa e, no pior dos casos, o cavalo que vem atrás pode até causar um acidente fatal.


Prova com cavalo trotador, muito controle e experiência





Altamente conceituada no meio equestre, esta prova conta com 12 esquiadores que devem percorrer um traçado de 2700 metros em pouco menos de 10 minutos. A primeira competição de “skikjöring”  ocorreu no ano de 1906, quando 13 cidadãos engadinenses, munidos de seus cavalos e esquis, tornaram-se os pioneiros deste esporte na neve. Reunidos na Postplatz de St. Moritz, iniciaram uma corrida de ida-e-volta até Champfér, cobrindo uma distancia de dez quilometros. Puxado pelo seu alazão irlandês, venceu o legendário Philip Mark, chefe de polícia local, com exatos 20 minutos e 22 segundos. Esta corrida, que une o cavalo ao exímio esquiador, foi a precursora para as futuras competições nesta sofisticada estação de inverno, sede dos Jogos Olímpicos de 1928 e 1948.

Em volta do hipódromo o ambiente é festivo, onde borbulha uma verdadeira feira de produtos suíços, como venda de relógios e vestuário de esqui, além de estande de carros de luxo e barraquinhas que servem taças de champagne, ostras frescas, raclette, risotto,  e muitas outras iguarias regionais. Entre uma prova e outra, os espectadores aproveitam para amenizar o frio tomando um vinho quente, comer um cachorro quente ou - como em qualquer outro hipódromo do mundo -  apostar.... A sorte pode bater, até mesmo em temperaturas abaixo de zero.

Indescritível é o som das ferraduras martelando no gelo...