sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Hotel Triglav, Lake Bled, Slovenia

Lake Bled, um cartão postal da Eslovênia, com suas águas límpidas e paisagem feérica.
A Eslovênia é um país bem pequenininho do leste Europeu, mas lotado de surpresas. Ele tem tanta diversidade que mal se pode acreditar que abriga apenas 2 milhões de habitantes. As suas fronteiras são inúmeras - Itália, Hungria, Croácia e Áustria. Não se surpreenda, então, se lá falam alemão, croata, húngaro e italiano, além do idioma local, absolutamente incompreensível.
O lago se presta a várias atividades náuticas durante os meses de verão.



Caminhei por trilhas, montanhas, florestas, atravessando vilarejos típicos, pastagens, bosques e estradinhas de terra. Foi uma das viagens mais aprazíveis que se pode imaginar, pois o povo é hospitaleiro, amistoso e acolhedor.
A natureza é um dos trunfos da Eslovênia, pois ela é tão eclética que se presta a todo tipo de atividades esportivas. Digamos, tem desde estação de esqui a balneários, e isso a apenas duas horas de distancia um do outro. Em outras palavras, você passa do mar à montanha num mesmo dia, com excelentes condições de estradas.
Ou, até mesmo transportes públicos, que são dignos das mais sofisticadas metrópoles do mundo. Falo porque andei de ônibus, uma maravilha. Isso sem falar a língua, deu pra chegar ao destino sem problema algum. Tudo muito bem organizado, pontual, eficiente...e de uma limpeza exemplar!
Aquela torre de igreja que aparece fica numa ilhota plantada no meio do lago e é uma das atrações locais.

Dia após dia, cruzamos várias regiões distintas do país. Pernoitamos em pequenos albergues, pousadas familiares onde o jantar era incluído e podia ser desde uma boa pasta ( lembrando que a vizinhança influi na gastronomia  ) a  um bife a milanesa ou guisado de porco com salsicha. Mas, o que sempre predominou foi a gentileza do povo local, que via com bons olhos uns turistas do outro mundo se aventurando a pé pela Eslovênia.
Um dos pontos altos da viagem - e digo apenas um, porque foram tantos que preciso dissecar com esmero tudo que passou diante dos olhos e a experiência gratificante de conhecer este belo país - é justamente um dos recantos mais propagados pelas agências de turismo.

O castelo de Bled é um ícone reputado mundo afora.
E´ o tal do lago Bled. 

Bled é o resort alpino mais famoso de toda a Eslovênia. Desde 1855, turistas afluem a este destino para cuidar da saúde, pois a localização privilegiada no meio dos Alpes Julian é ideal para quem busca ar puro, sossego e atividades ao ar livre. Além de cênico - a sua ilhota com um belo castelo encravado é um dos cartões postais mais divulgados e pode ser visitado em todas as estações do ano - há muitas atrações ao redor, e não falta oportunidade para praticar de esportes radicais aos mais simples, como pedaladas, canoagem, caiaque, vela, caminhadas e passeios pelos arredores. Na proximidade, ainda se encontram campos de golfe, um com 18 e outro com 9 buracos, emoldurados pelas mais altas montanhas deste pequeno país.  A infraestrutura de Bled é farta, com ótimos hotéis e restaurantes, lojas e ...casino!  E para quem não quer se livrar da preguiça, um trenzinho aberto leva os turistas em volta dos 6 quilômetros do lago para conhecerem cada cantinho deste cenário exuberante.   

 A cidadezinha de Bled é um encanto. Um montão de barzinhos, restaurantes e o hotel que ficamos, o Triglav, foi um dos melhores estabelecimentos de toda a viagem. Quarto amplo, porém sem muito luxo, mas em compensação o restaurante era  bem sofisticado pros padrões locais e oferecia uma bela vista sobre o lago e o contorno das montanhas. Passamos bons momentos curtindo esse destino e percorrendo as ruelas e suas construções características. Chegamos inclusive a nos deparar com  uma feirinha de artesanato entre as quais haviam muitos apicultores. O mel da Eslovênia é famoso e uma delícia. Assim como as guloseimas, doces em geral, dos quais eles são fanáticos e exímios na feitura de mil folhas, bolos e tortas. Haja reserva pra ingerir calorias!!!

Dá pra resistir a esta iguaria????

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Indigo Hotel, Varsóvia, Polônia


Centro histórico de Varsóvia no início da tarde - durante os meses de inverno escurece muito cedo!
Bebida mundialmente famosa, a vodka é um ícone polonês

Pode ser que dezembro e uma temperatura abaixo de zero não sejam elementos que combinassem com uma viagem a um país do leste europeu. Mas,  como a curiosidade e a gula são atributos mais poderosos que o medo do frio, foi com grande entusiasmo que aceitei um convite pra me familiarizar com a nova gastronomia polonesa. Mais precisamente, a de Varsóvia, capital. Aberto há apenas 7 meses, este boutique hotel fica no centro de Varsóvia. Me entupi de roupas quentes e me preparei pra enfrentar o início do inverno num dos lugares reputados como um dos mais afetados pela rigidez da última estação do ano.
Cheguei no aeroporto de Varsóvia, debaixo de neve. Mas, a acolhida calorosa das anfitriãs Annette e Shiri, fundadoras e sócias da empresa Foodsteps, foi o suficiente pra esquecer que do lado de fora o clima estava mesmo pra pinguins. No entanto, os flocos sempre embelezam o cenário de qualquer lugar e de início me encantei com a perspectiva de um final de semana prolongado com uma programação intensa - a maior parte dela dentro de recintos onde o que mais se faz é comer. E beber, claro, pois não faltam ingredientes pra isso - e uma boa desculpa pra aquecer o corpo e a alma com a típica bebida local - você já sabe, né, a vodka!! Em tempo: pra quem gosta de detalhes culturais, saiba que vodka quer dizer "pequena água"...Mas, cuidado ao beber dessa "água"!!!

Confeitaria é uma das tradições polonesas


"Nasdrovia", brindam os poloneses a cada copo derramado com firmeza goela abaixo! Mas, a gente só ia ter uma aula sobre a bebida nacional no penúltimo dia, quando uma guia super especializada nos conduziu de bar em bar pra experimentar gole a gole cada tipo de vodka. Sim, porque existem centenas de rótulos e marcas, algumas bem conhecidas mundialmente como a Wyborova ( que significa exquisite, no sentido de excelência) , outras apenas no território nacional. E, quem diria, ficamos sabendo que houve até uma polêmica sobre quem inventou a vodka, se foram os soviéticos ou os poloneses. Durante o período comunista, conta a lenda ( segundo a narração da nossa simpática guia) de que Stalin encomendou - melhor dizer, pressionou -  a um escritor polonês para que ele escrevesse a trajetória histórica da vodka, mas salientou um detalhe: era pra encontrar provas de que a dita cuja teria sido originada na Rússia e não na Polônia. Diante disso, o livro foi redigido assim.
Fora isso, a Foodsteps, uma empresa tão jovem quanto as suas mentoras, foi criada há pouco mais de um ano com o intuito de divulgar a revolução gastronômica de Varsóvia,  especificamente. Embora a cultura das receitas culinárias é enraizada em todo o país, a cidade tem uma conotação especial por ser o berço de muitos acontecimentos históricos, quase sempre trágicos. Basta rememorar os anos que antecederam a Segunda Guerra e a própria guerra para se dar conta disso.


A comida, como não podia deixar de ser, está intrinsecamente ligada aos fatos e, óbvio, aos costumes. Desde que se libertou das garras comunistas dos russos , no início dos anos 90, e assim que ingressou no Mercado Comum Europeu, a Polônia começou a resgatar o seu passado com tudo que lhe pertence. E a memória gastronômica veio junto.

O saguão do hotel Indigo, um quatro estrelas recém reformado, instalado numa construção antiga e com localização privilegiada.
O nosso QG era o hotel Indigo, um estabelecimento interessante, pois novinho por dentro e antigo por fora, de extremo bom gosto e funcionalidade. A suíte era ampla e aconchegante, com uma cama king e um banheiro moderno. O mais impressionante era o lobby, com um bar atraente, uma mega tela refletindo imagens galopantes, um ambiente hospitaleiro em todos os sentidos. Assim que me instalei me senti bem à vontade. Apesar do frio, não tinha como fugir de bater pernas por alguns quarteirões...
Shiri & Annette, fundadoras da Foodsteps

Indigo Hotel, um charme e de bom gosto
Começamos o nosso tour gastronômico com um almoço num restaurante bastante popular, turístico, chamado Zapiecek, mas que seduz pelas características típicas. Assim sendo, o grupo foi introduzido às especialidades natalinas como pierogies, os dim-sum nacionais. São pequenas trouxinhas de massa recheadas com qualquer tipo de coisa, frango, carne,cogumelos especialmente. Depois de preparadas, elas são cozidas na água por apenas alguns segundos e saboreadas com creme ácido e queijo ralado. Uma delícia. Além disso, sopas regeneradoras como a de beterraba (barszcz) ou de galinha.
Em contrapartida, no jantar fomos brindados com um leque de pratos selecionados num dos reputados restaurantes chiques da cidade, o Rozána. Além de várias entradas frias e quentes, como arenque marinado e patê de pato, desfilaram iguarias como vitela e bacalhau fresco. Tudo regado a bons vinhos, entre outros um gustativo Chablis...O ambiente deste lugar é algo fantástico e nos leva de volta aos áureos tempos de Varsóvia.

Rozána: detalhe do ambiente

No último dia, tivemos uma aula de culinária durante a qual aprendemos a confeccionar os tais pierogies, e confesso que foi um dos pontos altos da programação. Não que esse prato seja especialmente sofisticado, mas é fantástico, e a gente se anima e consegue encaixá-los na rotina para fazer a qualquer hora, numa boa!!
Os famosos pierogies,  recheados com tudo quanto é possível imaginar, tudo bem picadinho, uma delícia.

O sofisticado restaurante Ale Wino e sua cozinha criativa. Mãos à obra...
A manhã do segundo dia foi dedicada a um city tour, e embora o tempo não ajudasse - tudo meio molhado devido à neve derretendo nas ruas, ameaça de chuva e muita poça - a gente caminhou por locais bastante emblemáticos, como o gheto de Varsóvia, do qual não sobrou pedra sobre pedra. Embora o cenário avassalador já não existe, na memória da população esta época é um marco sofrido e relembrado sempre. Outra imagem marcante são as construções que datam da era comunista,muito concreto e a cor cinza predominante. No centro histórico, o que se vê é réplica daquilo que existia, pois tudo foi reconstruído após ter sido inteiramente arrasado pelos bombardeios durante a guerra.
Nosso almoço foi num restaurante conhecido como "milk bar", popular, daqueles que serviam aos operários durante os 50 anos que durou a ditadura comunista. Preço de banana, comida farta e bem básica, com ingredientes que podiam ser adquiridos naquela época sem grandes dificuldades.  Leia-se pratos a base de batatas, repolho e , claro, os indeléveis pierogies.  No Zkbkowski, nem sequer servem bebida alcóolica!

Placki - panquecas de batata no Zkbkowski, simples e saboroso.

 Em compensação, à noite vinha a recompensa. Ou até mesmo na hora do lanche, quando nos levaram para Stodki Stony, uma das confeitarias mais famosas da cidade, daquelas que é melhor nem entrar se você tem apreço ao seu peso original. Dos mini-éclair à torta de Natal, guloseimas servidas a rodo, irresistíveis. Os poloneses tem fascinação por doces e sabem prepará-los muitíssimo bem. Daí as deliciosas sobremesas que sempre enfeitaram as nossas mesas durante o tour. Outro restaurante muito simpático foi o Ale Wino, com ambiente festivo e alegre, pratos  que incluíram truta, pato e cordeiro, preparados com criatividade e temperos ótimos. Uma festança pro paladar, surpreendendo a todos pela delicadeza e requinte.




Mini éclair irresistíveis

No terceiro dia, foi tudo bem diferente: começamos a percorrer as feiras livres, nas quais se vende de tudo, frutas, legumes, carnes e peixes, de maneira bem rudimentar e simples. Mas o melhor é um novo centro gastronômico, um imenso mercado fechado, um recinto onde se pode escolher o que comer na hora, preparado diante dos olhos , de escargots à churrasco de picanha brasileira. Pasme! Muito concorrido, o ambiente é aconchegante, com mesas comunitárias e dezenas de barracas para agradar a qualquer paladar. De frios a sushis, passando por pizzas, especialidades asiáticas e muita cerveja artesanal, experimenta-se de tudo um pouco e ainda se pode comprar produtos frescos oriundos de regiões próximas, como mel e frios.

Urban : o mel que é produzido na cidade
Varsóvia no inverno com um pouco de sol.
Falando em mel, também conseguimos visitar um criador de mel que tem suas colmeias nas coberturas dos edifícios da cidade. Chama-se, para fazer jus, "Urban", ou seja, mel urbano, uma tendencia de produção que está se espalhando por várias capitais da Europa.

Na noite de despedida, Shiri e Annette levaram o grupo pra um restaurante chamado Kieliszki, renomado pela quantidade de copos suspensos ( falam em 3 mil) que fazem parte da decoração do lugar. Bem trendy, descontraído, onde nos serviram várias pequenas porções de receitas da casa, como panqueca de batatas com ovo e trufas, e uma versão de arenque com beterraba e picles de cebola, entre outros pratos.  Não resta dúvida de que a experiência gastronômica em quatro dias revelava apenas uma pequena amostra do que é hoje a cozinha polonesa. Por ter passado tantas décadas quase paralisada, ela se encolheu bastante, mas o cenário hoje é de retomada vigorosa para ressuscitar os sabores enraizados na cultura de um país que tem tudo pra dar certo.


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Wellington Hotel , Madrid, Espanha


Na Plaza Mayor, o segway tem perfeita liberdade para circular entre os turistas e atrações


Acredite se quiser, mas qualquer pessoa pode aprender a andar de Segway em menos de 10 minutos. Digamos que esta maravilhosa bugiganga móvel  - que pode ser descrita como uma fusão entre um scooter e uma patinete , é como as estórias em quadrinhos do Tintim : apropriada para qualquer pessoa de 7 a 77 anos de idade. 


Este meio de transporte individual, impulsionado eletricamente e computadorizado, foi inventado por um milionário americano, e é, no mínimo, uma revolução no conceito de locomoção, pois imita o equilíbrio do corpo humano e obedece às suas nuanças, por mais sutis que sejam. Com uma simples inclinação, o condutor se movimenta para frente (e para trás também), e faz curvas para a esquerda e direita puxando, empurrando ou virando o guidão com um leve toque das mãos, para onde desejar. E, para frear, basta inclinar levemente o corpo para trás.


 No fundo, é como andar, só que o Segway tem rodas ao invés de pernas, motor ao invés de músculos e microprocessadores ao invés de cérebro. Fácil, né?  E nada mais apropriado e ecologicamente correto para explorar uma cidade como Madrid, por exemplo, onde é permitido transitar de Segway pelas ruas, nas calçadas em meio aos transeuntes, e ao mesmo tempo se embrenhar com toda a liberdade pelos parques, becos e praças onde os carros são proibidos. “ A bordo”  desse meio de transporte original e divertido, é possível fugir da multidão de pedestres e percorrer comodamente os cartões postais da capital espanhola, como Plaza Mayor, Palácio Real, parque do Retiro, Plaza do Sol , Plaza de España e muitos outros recantos.
Catedral Almudena, um dos sítios visitados e com pouca afluência de turistas.


 Falando em recantos, é preciso achar um pouso em Madrid para antes e depois. Nada melhor que uma grande dama como o Wellington, um hotel cinco estrelas que combina tradição com comodidade. Pode não esbanjar o charme de um boutique hotel, até porque ele é grande demais pra ostentar esse rótulo, mas é agradável pois as acomodações são generosas e as tarifas atraentes se você pesquisa com cuidado e reserva com antecedência.


Além do mais, fica bem no centrinho, ao lado das calles Serrano e Goya, onde o comércio floresce e abastece o mais exigente espírito comprador. Tem desde lojinhas carismáticas a grandes marcas como Prada, Gucci, entre outras. Tem pra todos os bolsos e desejos. A Praça Colón também está pertinho, basta um bom par de sapatos pra rodar todas as atrações da cidade. Mas, isso ainda vale mais fazer de segway.

  

São vários itinerários oferecidos pelas empresas especializadas, durante o ano inteiro, com até duas ou mais saídas por dia. A duração média é de 90 minutos, incluindo os 15 minutos de aula prática, durante os quais o guia ensina os mecanismos básicos para manusear o Segway. Mas quem quiser fazer algo sob medida também pode contratar um tour particular. 

Há também algo mais inusitado, como a Ruta Gastronômica, que dura até 4 horas, isso porque o passeio é intercalado com algumas paradas estratégicas em bares de tapas ou tabernas típicas para degustar especialidades locais e bebericar umas cañas, marca registrada dos charmosos estabelecimentos de Madrid. Entre os petiscos e o chope geladíssimo, o grupo desliza confortavelmente pelas calles da capital. Em tempo: durante esse passeio, pode beber a vontade, pois o Segway é o único veículo que não está submetido à lei seca!  Quer tentar a sorte? Entre no site www.urbanmovil.com 


Porta de Toledo, um dos caminhos entre os itinerários



domingo, 22 de outubro de 2017

Nira Alpina, Silvaplana, Engadines, Suíça

Silvaplana, ao lado de St. Moritz, tem atributos semelhantes sem o agito.
Jardim particular defronte da suíte no térreo do Nira Alpina.

A estação de esqui de St Moritz tem uma fama secular e atrai milhares de turistas no inverno. Cercada de lagos e florestas, ao pé de uma estonteante cadeia de montanhas na região de Engadines, o resort sempre se classificou entre os dez mais cobiçados pelo jet set internacional e celebridades afins, bilionários e esportistas. Silvaplana, sua vizinha localizada a apenas 6 quilômetros do bochicho, permaneceu na encolha, sem muito glamour, porém desfrutando da mesma paisagem e do entorno privilegiado que é a própria natureza.


Trio de gelatos no restaurante do Nira Alpina.

Quando eu era bem pequena, passávamos férias em St. Moritz, passeando pelo então muito menos badalado vilarejo, hospedados em um daqueles "palace" que no final da década de 50 e início dos anos 60 eram os hotéis que se destacavam naquele cenário helvéticos. Não havia tanta escolha como hoje em dia, quando as opções atendem a quase todos os orçamentos.
Não me recordo das pistas nem das condições , apenas revejo as fotos em preto e branco tiradas com uma polaroid e vagas lembranças vêm à tona. St. Moritz ficou na lembrança como tantas outras estações de esqui. Só voltei lá quatro décadas depois, pra assistir ao White Turf, um evento que ocorre anualmente há mais de um século  e que atrai milhares de espectadores para a beira de um lago gelado onde se realizam as famosas corridas de cavalo e provas equestres de alto gabarito. Fui duas vezes em fevereiro, que é quando acontecem - de fato, nos últimos três domingos do mês.
A estação, é óbvio, fica abarrotada. Não se encontra vaga em hotel algum e quem tiver planos para assistir ao show deve fazer reservas com bastante tempo de antecedência. A não ser que decida sair um pouco do centro e ir até Silvaplana. Há pouco mais de dois anos inaugurou o Nira Alpina, um cinco estrelas estupendo com todos as suítes viradas para as montanhas. Moderno e jeitoso,de extremo bom gosto e acomodações mega confortáveis, o Nira ainda acumula mais um importantíssimo atributo: é o único hotel ski-in, ski-out de toda a estação. Ou seja, você dispensa carro, ônibus, traslado e qualquer outro meio de locomoção para chegar nas pistas!! Saiu da porta do hotel e já entra no bondinho direto pra subir até o topo da montanha.  Melhor do que isso, só dois isso...


Esse ano a visita estava com outro entorno: era verão e ao invés de neve havia flores por todos os lados. O Nira Alpina se destacava no panorama pela estética clean que se mescla com harmonia à paisagem. Não é um hotel chamativo, e a sua discrição contribui para a sua elegância.  Na redondeza, turistas perambulavam na beira do lago, e muita gente praticava kite e windsurfe. O calor era intenso e algumas pessoas aproveitavam para se banhar nas águas cristalinas do lago. Bicicletas tomavam conta das ciclovias e no transito não faltavam motocicletas gigantescas que percorriam a orla com vagar, apreciando a beleza do cenário.
Suíte do térreo com varandinha e jardim

As suítes do térreo ainda ganham um jardim, com direito a privacidade. E no térreo ainda fica o depósito dos esquis... Amplas e muito confortáveis, com cantinho para leitura e uma boa tela plana, um banheiro grande e, mais ainda, um roupão de matar de inveja qualquer um. Basta dizer que não deu pra resistir e comprei um, na hora do check-out. Dessas coisas que você não consegue resistir!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Wild Earth Lodge, Makarora, Nova Zelândia


Room with a view: o olhar se perde pelos campos e montanhas em Makarora.



Daquelas coisas que acontecem com viajantes easy riders: o inesperado. Surpresas boas, como encontrar uma pousada fora do percurso que surpreende em vários quesitos. Estávamos nós na ilha sul da Nova Zelândia, iniciando uma viagem de motocicleta que iria durar cerca de uma semana, visitando inúmeros locais, cidadezinhas, se embrenhando por estradas sinuosas beirando o mar ou as montanhas.




Alguém tinha mencionado essa pousada Wild Earth Lodge, incluindo até a gentileza e hospitalidade dos proprietários. Consegui, ainda em Queenstown, falar com Peter, o dono, que me respondeu com amabilidade e simpatia, de que teria um quarto pra gente sim. Ao pegar a  estrada, não tínhamos muita certeza do endereço, pois supostamente essa cabana se encontra quase que no meio do nada, afastada da estrada e pouco sinalizada.

Rusticidade aliada a conforto e a hospitalidade genuína são atributos desta Lodge.

Mas, sorte de motoqueiros, conseguimos localizá-la após alguns erros...antes que caísse a noite, porque ninguém consegue encontrar nada no escuro. No momento em que entrávamos na fazenda - sim, porque não deixa de ser uma fazendola muito rústica, charmosa e com cara de casa de amigos - o proprietário estava de saída. Ao vir ao nosso encontro, ele nos convidou pra se juntar a ele e  jantar num restaurante próximo, pois não tinha outra saída pra saciar a fome.


Steve é um personagem muito cativante, que imediatamente se atracou numa conversa sobre a região, o estilo de vida, do que ele fazia e se mostrou muito interessado em saber também sobre nós. O jantar foi regado a cerveja e ficou animado. Voltamos para casa já cansados e prontos pra dormir. O nosso quarto era a coisa mais aconchegante do mundo, cheio de detalhes na decoração e com uma vista de tirar o fôlego - montanhas, muito verde, campo e animais.

Na manhã seguinte, ele nos levou para dar uma caminhada pela redondeza. Pastagens, paisagens bucólicas e tudo muito preservado nesta região me chamou a atenção. A vida ao ar livre é uma opção de muitos fazendeiros que deixaram a cidade pra viver no campo, com menos mordomias mas uma qualidade de vida invejável.

Pescadores desfrutam da tranquilidade e privacidade de um lago ao pé das montanhas.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Belmond La Residencia, Déa, Islas Baleares


Chegar na praia exige uma pequena caminhada por uma trilha no campo.

Já tem uma década que visitei o pitoresco vilarejo de Deià, a apenas 35 quilômetros de Palma de Mallorca mas a uma eternidade de distancia do bochicho deste famoso balneário. Ainda não estava no pico do verão, mas fazia um calor de bode. No entanto, a localidade, encravada aos pés da Sierra Tramuntana, nos abençoou com aquela brisa gostosa, que deixa você feliz e curtindo as altas temperaturas de julho.

Me lembro que foi naquela época em que tive minha primeira relação afetiva com um Smart, alugado no aeroporto. Era um brinquedinho e assim foi uma experiência bem divertida. Parece que você não está propriamente dirigindo um carro, mas sim um brinquedo, como aqueles que existem num parque de diversão, tipo carrinhos de empurra-empurra, algo mais ou menos assim...Eu tive essa sensação. Porém, o micro Smart não desaponta e pra encarar aquelas estradinhas sinuosas do interior da ilha, nada mais apropriado. O difícil é enfiar uma mala pois mal cabem as pernas!



Ficamos regiamente hospedadas no Belmond La Residencia, um cinco estrelas que encanta à primeira vista. O vilarejo é um charme, com artistas e ateliês, lojinhas e restaurantes.  O hotel, além de piscinas, quadras de tênis, tem um dos melhores spas da ilha, e um restaurante super conceituado, o El Olivo. O café da manhã é monumental e delicioso.
Além de curtir o hotel e todas as mordomias - apesar que não conseguimos fazer sequer uma massagem pois tudo estava reservado - também precisa ir até a praia, um tanto afastada, e de pedra, mas cuja transparência da água vale o esforço. Descemos a pé por uns campos e pastos até chegar lá, depois subimos ( a pé) por uma estradinha pra voltar ao hotel. Uma boa caminhada recompensada por um refrescante mergulho no mar.


Passear pela redondeza também vale como um bom programa, alguns vilarejos, como o próprio Deiá, tem um comércio charmoso, com lojinhas de artesanato, roupas de designers locais com um toque de exclusividade. Me recordo que a minha mala tinha sido extraviada em Madrid e portanto não tinha nada além da roupa do corpo. Um vestido preto comprado por 10 euros foi a minha salvação pra me apresentar com dignidade no sofisticado restaurante do hotel.

Vista da suíte do La Residencia