quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

La Résidence, Ilha Mauritius, Oceano Índico

Não há muito o que fazer em Mauritius, mas contemplar o mar e o infinito fazem parte do roteiro.


O pôr-do-sol é um ritual levado muito a sério em Mauritius, longínqua ilha encravada no oceano Índico, e que fica bem longe da cobiça do turismo de massa. Ali, o ritmo dos  visitantes é regido pelas ondas, num autêntico espírito laid-back, inerente à atmosfera e índole mauriciana à moda colonial de antigamente. Imagine, então, esta cena:  Quando tudo fica banhado pela luz dourada, os mais descolados se estiram nas espreguiçadeiras dispostas ao longo de uma longa faixa de areia branca, e aguardam o espetáculo da natureza.
Da beira da piscina do La Residence se vê o mar, a praia e um horizonte sem fim

 Outros, ainda se espreguiçando  após a siesta do almoço, se aboletam no terraço de sua suíte cuja vista se debruça sobre o mar de almirante. Se você se entusiasmou com este fluxo de imagens e deixou sua mente correr solta, fantasiando algo bem romântico e bonito , então  visualize uma variação encima do mesmo tema : imagine que seja você mesmo, relaxando confortavelmente numa chaise longue, à beira de uma linda piscina.

 Os seus olhos estão cravados no mar, à espera dos últimos raios de sol que deslizam no horizonte e acabam jorrando uma luz rosada. Imagine também que está rodeado por amigos ou apenas em boa companhia, sorvendo uma taça de Veuve Clicquot  para brindar mais um  estonteante final de tarde. Isso depois de ter passado o dia curtindo uma praia semi - deserta e mergulhado nas águas tépidas e mansas.

Sonho de milionário  ou enredo de filme? Nem uma coisa nem outra. Embora a descrição pareça mesmo ser a de um cenário montado em Hollywood e o clipe encenado por astros famosos, isso tudo acontece de verdade com hóspedes de carne e osso, no resort The Residence Mauritius.  A boa notícia é que este estilo de vida já deixou de ser privilégio exclusivo dos magnatas, sheiks, realeza e celebridades - com quem um simples mortal pode até ter o privilégio de esbarrar por aquelas areias, sabe lá! Esta ilha sempre reserva surpresas... 


Ou seja,  é viável curtir umas férias de nababo, imbuídas de luxo, amenidades, mimos e mordomias durante estes períodos pontuais de lazer,  comemorando uma lua de mel, uma viagem em família, ou que seja para simplesmente rebobinar as energias longe deste insensato mundo civilizado. E´ uma viagem que dura de praxe uma semana, muito mais acessível do que se imagina graças a pacotes apetecedores, e com a vantagem de ainda poder optar por qualquer época, quase durante o ano inteiro.
Nadar ao lado dos golfinhos é uma experiência inédita, mas prestes a acabar devido aos protestos de muitas entidades

 Graças ao clima ensolarado que prevalece quase 365 dias, esta ilha paradisíaca, localizada a 5 horas de vôo do continente sul africano, atrai uma nata de turistas, a maioria europeía, daqueles que querem relaxar e se integrar à paisagem, caminhar na areia, e curtir as mordomias que o resort oferece in loco:  bons restaurantes com gastronomia variada, uma praia reservada, um spa com rótulo de renome Carita e muito, muito sol.  Vale a pena situar a exata posição geográfica de quem escolhe voar literalmente para fugir da civilização, e se refugiar num verdadeiro jardim tropical, um pequeno paraíso.


Mas que nem é tão pequeno assim, porque Mauritius mede 1865 quilômetros quadrados com 330 de litoral cujo panorama é extremamente variado. Bem eclética em suas paisagens, a ilha não merece ser retratada apenas pelas suas praias brancas bordadas por um mar tépido e cristalino, e quem conseguir se desvencilhar da zona de conforto do resort pode querer explorar seus vários cartões postais - imensas plantações de cana de açúcar emolduradas por formações rochosas de origem vulcânica, plantações de chá, florestas, jardim botânico, mirantes e a diversidade de sua flora.  O idílico The Residence é um hotel com 135 acomodações, que variam entre 54 a 58 metros quadrados. Outras 28 imponentes suítes, junior ou senior oferecem opções de vista,  e oscilam entre 86 a 164 metros quadrados.

Abacaxis descascados à moda Mauriciana


The Residence é um resort de alto gabarito cuja localização privilegiada em um dos cantos mais bucólicos da ilha Mauritius, cercado de muito verde e um quilômetro de praia, o tornou uma referência de sofisticação e conforto. Não é à toa que foi eleito em 2009 entre os 13 melhores resorts do mundo pela revista inglesa Condé Nast Traveller. Num destino ainda relativamente desconhecido, pouco explorado e ainda bastante arraigado a tradições milenares, onde prevalecem imensas áreas livres sem vestígios de civilização, é agradável ter a opção de isolar-se espontaneamente e usufruir de privacidade total sem abrir mão dos pequenos mimos de cada dia. Mesmo que o luxo maior seja mesmo oriundo da natureza tropical e do mar cor de esmeralda  que emolduram a paisagem. 

domingo, 8 de janeiro de 2017

Watermill Fishing Lodge, Lisnaskea, Irlanda do Norte

Bucólica, a paisagem da Irlanda é também bem variada. Alguns lugares, fora do eixo turístico, valem a pena. Ainda mais se você gosta de pescar.


Embora a viagem era de moto, vou falar sobre algo mais que sacolejar na garupa apreciando a estupenda paisagem da Irlanda do Norte (com sol). Também descobrimos que é possível pescar na Irlanda. Num dos últimos dias do nosso itinerário, acabamos chegando num lugar bem pitoresco, com muito verde e zilhões de carneirinhos pastando. Picture-perfect como típica paisagem.


Nos instalamos num hotelzinho bem aprazível chamado Watermill Fishing Lodge no final da tarde. Encravado na beira de um imenso lago chamado Lough Erne. Lough, no linguajar irlandês, é lago. Me lembro que batia uma luz amena e o décor era verdadeiramente cozy. Nos sentamos no jardim com vista para o lago e foi um momento de relaxamento. Já sabendo que na manhã seguinte o programa seria mais valente. Mas, a melhor do dia seria jantar bem, pois o restaurante do hotel prometia delícias francesas!

 Apesar de ficar um pouco desanimada com a perspectiva de ficar horas a fio sentada num barco e também  por não ter muita paciência pra ficar segurando uma vara por horas olhando pro vazio ou esperar a burrice do salmão ou da truta salmonada que vai achar que plástico é uma iguaria, o roteiro não era tão ruim. A gente ia passar próximo a umas ruínas, um castelo chamado Coole e um lugar turístico chamado Crom Estate.


Como a gente sabe, lugar onde tem muito pescador, presumivelmente tem muitos peixes.  Foi o que nos garantiu o proprietário , simpático cidadão francês radicado na Irlanda, porém ainda bastante arraigado às suas tradições.

Esqueci de mencionar que ficamos bem pertinho de um vilarejo chamado Lisnaskea e que esta lodge é mais simpática que luxuosa. Na verdade, as acomodações estão direcionadas para homens ( e mulheres, embora em numero menos expressivo) que são aficionados pelo esporte.
Muito bem cuidado, o jardim do Watermill é um convite à contemplação de um lago tão gigantesco que não se enxerga o fim


O programa do povo que frequenta o lugar é acordar cedo, contratar um guia e sair de lanchinha pra pescar.  Que foi, aliás,  o que fizemos... Mas, já que a crème brûlée da véspera estava supinpa, assim como o foie gras merecia até um repeteco, acordamos de bom humor.


Não vou jurar de pé junto que pescar é a minha praia. Mas, o que é que a gente não faz pra conseguir algumas imagens ( enquanto outros tentam conseguir um peixe...)  Sendo assim, levantamos cedo e embarcamos, com nosso ghillie ( o personagem que acompanha os neófitos pra pescar, supostamente apontando os locais exatos onde os animais vertebrados poderiam ser pescados).

Passeamos mais que pescamos. Naquele dia, embora não fosse feriado, o Lough não estava pra peixe. Pelo menos, não pra peixe grande...



No frigir dos ovos, ficou todo mundo contente...Mas o melhor do dia, além do troféu que sequer deu pra fritar ( conforme as regras, existem medidas mínimas pra tirar o bicho fora d ´água) , mas valeu pelo  incrível por-do-sol,  emoldurado por carneirinhos.
Foi um gran finale para uma viagem de moto que durou uma semana. Com sol em todos os dias, exceto o último...
Na Irlanda, como se sabe, sol é ainda mais raro do que a possibilidade de você pescar um daqueles peixões que fazem a alegria dos adeptos, principalmente quando se trata de contar histórias sobre a performance, sentados na beira do lago, saboreando uma cervejinha gelada...

A emoção de vivenciar um final de tarde assim...



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Hotel Stikliai, Vilnius, Lituânia


No final do dia, a luz se perde no lusco fusco de Vilnius, mas dá uma tonalidade romântica ao cenário

Dezembro na Europa, principalmente mais para o norte, causa calafrios em um bocado de gente. E´ verdade que as temperaturas despencam com mais vontade nestas regiões, se comparadas com países como a Suíça, a Itália ou até mesmo a França, onde o outono ainda arrasta os dois dígitos no termômetro até antes do Natal.

Pessoas passeiam próximo à Praça da Catedral

Nada que invalida uma fugidinha de quatro ou cinco dias pra um dos belos espécimes bálticos, como foi a minha viagem para Vilnius, capital da Lituânia e uma verdadeira caixinha de (boas) surpresas. Começa com o tempo: geladinho, sim, estamos falando em zeros à esquerda, mas que delícia ver aqueles flocos de neve cascateando sobre os telhados, as ruelas estreitas, os casarões antigos do centro histórico.

Vilnius embranquecido, parecia mesmo um cenário de contos de fadas. E, pra falar a verdade, dava pra aguentar bem o frio durante o dia, desde que devidamente agasalhada e com luvas, gorro e muito chocolate quente . Dezembro, na praça da Catedral, é palco para as barraquinhas de feira de Natal, e lá vendem desde cosméticos a roupas, brinquedos, comidas típicas, tudo isso embalado por aquelas musiquinhas de Papai Noel que todo mundo conhece...


As pessoas são lindas, amáveis e sempre dispostas a te ajudar. E vem falar com você, com aqueles olhos de um azul inimaginável. Todo mundo fala inglês e você não tem dificuldade nenhuma em se locomover pelo centro histórico, até porque é um ovo.

Nem a neve nem o frio afasta os comerciantes de rua, que expõem quadros e artigos variados durante todo o dia

Na Literary Street, ou rua Literária,  são afixados várias obras de arte assinadas por artistas locais

Como só faz acima de 20ºC durante poucos meses - julho e agosto - a vida dos habitantes da Lituânia gira mesmo indoors. Ou seja, não faltam restaurantes simpáticos, a maioria deles encravados em construções centenárias cujo design é medieval, com arcadas pra todo lado. O ambiente fica intimista, misterioso, aconchegante, pois o pé direito é baixo.

A Cathedral Square é onde fica o mercado de Natal, e a árvore gigantesca que atrai grandes e pequenos, que aproveitam para fazer compras nas inúmeras barraquinhas erguidas em volta da praça, onde também fica a torre de onde se desprende uma vista espetacular sobre a cidade.

Fiquei hospedada num Relais & Châteaux gracioso, o Stikliai , bem no coração do centro histórico. Três construções antigas foram juntadas e formaram um charmoso complexo hoteleiro. E´ um boutique hotel, com cada acomodação decorada de maneira diferente e os espaços públicos são todos cantinhos deliciosos, como o bar ou o lounge com lareira. Parece a casa de amigos, não fosse o esplêndido restaurante, onde - pode confiar - se come maravilhosamente bem.

Muito bem centralizado, a poucos minutos das principais ruas de Vilnius, o Relais & Châteaux  em versão boutique esbanja conforto e charme.

Um dos pratos tradicionais da Lituânia é sopa - pudera, já viu como uma sopa quentinha aquece até o último fio de cabelo numa noite gelada? O engraçado é como eles servem, derramam o líquido encima do "tema" da sopa, como o cogumelo, por exemplo. Ou dentro do pão...Uma delícia! Outra especialidade é uma espécie de pastel fusionada com uma empanada. Boa, sim, mas nada extraordinário. Por outro lado, alguns pratos não caíram no meu gosto, mas isso é muito pessoal.


O melhor programa pra qualquer turista é explorar tudo a pé. Bater perna, bater perna...Parar em cada lojinha, catar nas prateleiras e adquirir algumas peças de linho - especialidade deles - pra enfeitar a mesa... ou pra quem gosta de âmbar, existem várias que vendem desde joias a enfeites e peças de decoração para casa confeccionadas com este mineral.

Nos finais de semana, as ruas de pedestres se enchem de gente. Todo mundo percorre as boutiques e invade os restaurantes e casas de chá para espantar o frio com um reconfortante chocolate quente.
A Catedral é imponente por fora, muito sóbria por dentro


 Vilnius ainda é um destino com muito gosto de novidade, por estar fora do radar do turismo de massa e também por ser pouco divulgado. Exceto algumas publicações específicas, focadas nos destinos considerados mais "exóticos", este país é praticamente desconhecido - principalmente pelos brasileiros. Só pra constar, não encontrei nenhum nas ruas...O que é bem raro, pois eu esbarro sempre em algum conterrâneo seja lá em que ponto geográfico do mundo.
Tem mais de 45 igrejas só naquele perímetro do centro antigo, então é só olhar pra cima e pra qualquer lado que logo se avista uma torre - ou duas, ou três... A Catedral de Vilnius é muito procurada pelos turistas, e  surpreende pela decoração interna singela e sem nenhuma ostentação. Nem muita luminosidade, pois carece de janelas. Todo o ambiente é bastante austero e sóbrio. Ao contrário das pessoas nas ruas, sempre expansivas e simpáticas, curiosas em saber como é que a gente sai de um lugar tão quente como o Brasil e vai parar num destino tão longínquo como a Lituânia e tão mais...frio!

A cor âmbar invade as ruelas e cria uma luz fantástica



sábado, 17 de dezembro de 2016

Seadream Yacht Club, a bordo, mundo afora


Um iate que consegue chegar onde a maioria não aporta.

Na verdade, o nome Seadream já diz tudo: a viagem é um sonho no mar. Mas não é para comparar com nenhuma destas viagens que são alardeadas por aí, porque essa se distancia em milhas náuticas de qualquer outra. Começa pela embarcação, que por ter capacidade para apenas 110 passageiros em 55 cabines, não é um navio e sim um iate. E, por tabela, não faz cruzeiro, faz iatismo. 
amenidades Bulgari no banheiro

Medindo apenas 105 metros, uma das vantagens é ter a liberdade para ancorar em lugares mais aprazíveis e aconchegantes, onde os grandes navios não têm acesso. Mas, sobretudo, fugir da mesmice do turismo de massa oferecendo um serviço personalizado e irrepreensível através do séqüito de 95 tripulantes.

 A gastronomia cinco estrelas está aliada a uma adega com rótulos de peso; por outro lado, o “menu” de serviços do spa asiático, sob os auspícios de profissionais tailandesas, tem um leque de tratamentos e massagens tão extenso que mesmo você fazendo a viagem de ida e volta não daria tempo para experimentar de tudo! Mimos tais como um ipod (já com 500 músicas gravadas) à disposição de cada um dos passageiros e a possibilidade de dormir “ao relento” no convés superior debaixo de edredons felpudos, fazem parte das regalias, assim como o uso de brinquedinhos náuticos – leia-se jet ski, caiaque, banana e esqui aquático.


 Para arrematar,  um simulador de golfe para aqueles aficionados que não querem perder a mão. E, por falar em mão, não podia faltar um casino para se jogar 21.  Não é à toa que, com apenas 5 anos de vida, esta pequena companhia abocanha pelo terceiro ano consecutivo um cobiçado selo de ouro na lista da conceituada Condé Nast Traveler. Traduzindo em miúdos: o Seadream Yacht Club é o que existe de melhor no mundo no quesito viagens de barco.




O sonho começa logo no primeiro minuto da viagem, quando você acaba de subir a rampa de acesso a bordo e pisa no convés: um sorridente tripulante vem lhe oferecer de bandeja uma toalhinha gelada, que é para aliviar o calor. Segundos depois, um outro funcionário se aproxima de você com outra bandeja e desta vez lhe estende uma taça de champanhe francês, que é para aliviar a sede. Neste ínterim, alguém já se apressou em pegar as suas malas. 


Caviar e champagne nas águas calmas: algo inédito e inesquecível

E, antes mesmo de você acabar de sorver o último gole, um quarto tripulante se dispõe a acompanhá-lo até a sua stateroom (camarote, mas aqui esta nomenclatura comum não se aplica) onde você passará as próximas nove noites. Pronto: a partir daquele exato momento você se tornou parte do seleto grupo de passageiros imbuídos do espírito de “sonhadores no mar”. Ou seja, um “Seadreamer”, como todos serão denominados doravante.

Com seus dois iates, Seadream I e Seadream II, a companhia cinge os mares do Mediterrâneo ao Caribe o ano inteiro, e ainda oferece viagens temáticas

Mas como vai dar para perceber, neste iate o requinte não tem limites: você mal teve tempo de dar uma geral em sua stateroom, bisbilhotar as amenidades Bulgari no banheiro, se dar conta que tem uma tevê de plasma, um dvd e um cd player  (isso sem contar com aquele ipod que está à sua disposição com o concierge na recepção, e que já vem com 500 músicas gravadas) que de repente toca alguém na porta e aparece a sua, digamos assim, personal camareira que, desde o primeiro instante, já lhe chama pelo nome. No segundo dia, já conhece até os seus horários e “toma conta” de sua bagunça. E´ ela quem vai reabastecer o seu frigobar com tudo aquilo que você prefere; é ela quem coloca toalhas felpudas novas a cada vez que encontra alguma molhada; é ela quem abre a sua cama à noite e coloca um pratinho de bombons encima da mesa da salinha. E antes de você ir dormir como um anjo, envolto nos lençóis de algodão egípcio, ainda vai dar uma olhada na programação impressa para o dia seguinte, que ela lhe deixou estrategicamente exposta encima da cama.

Pequeno e mega luxuoso nos mínimos detalhes, o Seadream é um cinco estrelas mundo afora.




quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

NH Santo Stefano Hotel , Torino, Itália


Mesmo com o céu encoberto, Torino emana  uma luminosidade própria  capaz de dissipar até vestígios de chuva.  Se tivesse que usar apenas um adjetivo para descrever a capital do Piemonte, seria acolhedora


Piazza San Carlo, formigueiro a qualquer tempo
Com pouco menos de um milhão de habitantes, a quarta maior cidade da Itália surpreende agradavelmente ao visitante de primeira viagem.  As pessoas são cordiais, amáveis e comunicativas, mas sobretudo demonstram uma hospitalidade genuína que deixa os estrangeiros à vontade. No comércio em geral, ninguém espera que você fale o idioma de Dante  e se dirigem espontaneamente  aos estrangeiros em inglês.


 Nos restaurantes os pratos são descritos nas duas línguas. Aliás, é justamente em torno de uma boa mesa – e de uma boa massa ou de um expresso  – que é possível absorver o espírito torinense de ser. 
cena de rua



Por falar em comida,  a  hora das refeições  é sagrada na região do Piemonte, e Torino não escapa à regra,  mesmo sendo uma metrópole  onde as pessoas não desfrutam a  siesta  como nas cidadezinhas do interior. 

No entanto, a maioria das  butiques e mesmo pequenos supermercados de bairro fecham à 1:30 da tarde e só reabrem depois das 3:30, quando os restaurantes cerram as suas portas depois do pranzo. Em compensação, o comércio  não fecha antes das 7 horas da noite.  E se na sua agenda constar algum dos nomes mais consagrados da culinária piemontese, lembre-se que é imprescindível fazer reserva com alguns dias de antecedência a fim de obter uma mesa.

Não ficamos hospedados no hotel que realmente ficaria na memória, mas guardei o endereço de um muito legal que é pra reservar numa próxima visita a Torino. O NH San Stefano, embora pertença a uma cadeia, é uma originalidade. E também preza a sua situação. A fachada moderna e sóbria é um contraste com o ambiente revelado no lobby, um tanto mais impressionante do que o décor tradicional.  Mas, a surpresa é muito agradável. As suítes são um luxo à parte, espaçosas e bem arranjadas.  No último andar, tem um terraço e uma piscina. Um pouco resguardado como localização,  no bairro de Piazza Castello, não impede que se explore tudo em volta a pé, pois o centro histórico está a pouco menos de 10 minutos.  


NH Santo Stefano, um achado confortável e original




 Até mesmo para almoçar. Do típico bicerín ( café expresso com chocolate e creme) a tradicionais produtos caseiros, a  reputação gastronômica desta região é lendária e conta com pouca rivalidade no país.
A rotina do cidadão de Torino, principalmente nos finais de semana, gira em torno do Centro Storico, onde precisamente tudo acontece nas ruas transformadas em alamedas exclusivas para pedestres, como é o caso da  divina Via Roma, habitualmente muito congestionada pelo tráfego  em dias úteis.  A partir das 10 horas da manhã, faça sol ou chuva, a área toda fervilha com ares de festividade.  A Piazza San Carlo, que data do século 17, e onde impera a estátua de Emanuele Filiberto montado em seu cavalo, é um verdadeiro fluxo de gente e ponto de referência.
Galleria San Federico, próximo à via Roma

   Esta obra de arte é considerada como a melhor estátua equestre italiana de todo o século 19.  Seguindo um itinerário padrão, você vai chegar na Piazza Castello, Palazzo Madama e Palazzo Reale. Entretanto,  deixe-se seduzir pelas butiques estilosas ao redor da Via Roma e Via Lagrange,  adornadas por arcadas e imponentes galerias, como a de San Federico, onde até o cinema é um marco histórico.

Mercatto Central, um mundo à parte


Luzes de Natal, Via Roma se torna pedestre

 Basta caminhar um pouco fora do circuito para se embrenhar em ruelas estreitas e desvendar pequenas lojas e simpáticos cafés.  O rosário de piazzas é impressionante, e algumas não podem faltar no seu itinerário. A Piazza Castello, palco do primeiro senado da Itália e Piazza Vittorio Veneto, às margens do rio Po, são apenas dois ícones célebres. A Piazza San Giovanni abriga a Catedral de Torino. Não deixe de engatilhar esta visita com uma expedição ao impressionante Museu do Cinema que se encontra à proximidade, e terminar o périplo fotografando a Porta Palatina, uma das portas romanas mais preservadas do mundo. Se sobrar fôlego, e ainda estiver dia, o Mercado Central emoldurado pela animada feira livre está a poucos minutos dali e é a prova viva de que o espírito hospitaleiro piemontese está presente em todos os ambientes.
 
Piazza Castello e suas atrações