segunda-feira, 11 de abril de 2016

Pousada Canto do Francês, Soure, Ilha de Marajó, Pará



 
A ilha onde ninguém tem pressa : este é o meio de locomoção da polícia de Marajó


Quando Garcia Marquez idealizou o cenário da aldeia de Macondo  para sediar o romance 100 Anos de Solidão, ele certamente não tinha em mente a exótica Ilha de Marajó, localizada ao oeste da foz do rio Amazonas,  às margens do rio Pará e beirando o Atlântico. Mas, bem que poderia:  Apesar de Soure, capital informal desta ilha paraense,  ter bem mais do que  apenas vinte casas e 300 habitantes, ali os estranhos  convivem como velhos amigos, fazendo com que os turistas se sintam imediatamente acolhidos neste pacato vilarejo margeado pelas águas salobras do  rio Paracauari. 

O búfalo é o ícone da ilha e pode ser visto em qualquer lugar


Exótica,  povoada por indígenas desde 1100 AC, é a maior ilha fluviomarinha do mundo, e  conserva até hoje uma aura de genuinidade. Extremamente hospitaleiros e amáveis , os  habitantes se  orgulham de suas origens que remontam a civilizações pré-colombianas,  e  ainda se sentem bastante  arraigados  às tradições.

paisagem típica e bucólica

Constatei,  feliz, que estaria vivenciando durante alguns dias uma realidade bastante inusitada para qualquer pessoa que mora em cidade grande.  Tranquilidade, paz, violência zero. E´ preciso salientar que na Ilha de Marajó a infraestrutura hoteleira ainda é bastante limitada e o que existe é rústico.

 Algumas pousadas oferecem até piscina com um padrão razoável, mas é só. A nossa, deliciosamente chamada de Canto do Francês, não tinha. O quarto era simples, mas felizmente tinha ar condicionado - isso não dá pra aguentar sem! 

Pousada Canto do Francês, um pequeno oásis com charme e simplicidade

Digamos que é a pousada mais bacaninha de Soure, com toque pessoal do dono, que é francês, adivinharam. A decoração, rústica,  está aliada a um atendimento simpático e acolhedor, e você logo se sente em casa. Tem até restaurante. Luxo e amenidades não existem, mas as camas são confortáveis. São apenas 9 suítes e a localização é boa, próxima ao rio e  a apenas 10 minutos a pé do centrinho da vila.  


Outra característica da ilha é que ela só conta com uma estrada asfaltada, mas tem ruas largas de terra batida. Curiosamente, Marajó  foi concebida  e planejada, digamos,  como... Manhattan:  ao invés de ruas com nome, existem as Travessas e as Ruas, ambas só com números. Sendo assim, voce vai para o lugar tal que fica na Quarta Rua com a  Travessa 12...
Nada de ruas asfaltadas ou prédios altos

 Não tem nem como se perder.  Em tempo:  de similaridades com a Big Apple só mesmo estes detalhes urbanísticos, porque não plantaram um só arranha-céu em toda esta região - e  estamos falando de uma imensidão de pouco mais de 40 mil quilometros quadrados - equivalente ao tamanho da Suíça, por exemplo.  Não é a toa que Marajó é a maior ilha fluvial do planeta.


Mas além de só ter casas, a grande maioria modesta e simples, de um só andar, em Marajó também quase não tem automóveis.  Um meio de transporte típico - e peculiar -  é a carroça puxada a búfalo, animal que se adaptou perfeitamente ao meio ambiente e às condições climáticas que, é bom ressaltar, acarretam  mudanças drásticas na topografia da região. 



  Este bovino se tornou o  ícone de Marajó, contabilizando o maior rebanho do Brasil com 700 mil cabeças, e também se converteu num recurso econômico para grande parte dos 25 mil marajoenses, pois ele serve para carregar lixo, mercadorias,pessoas,bens de consumo e ainda virou atração turística... Fora que a búfala produz leite para a confecção de um produto bem local, que lembra um pouco o queijo grego  feta  , tanto na textura como no paladar.  Soure é a cidade mais movimentada da ilha, e é onde a maioria dos turistas aporta. Há sempre muitas festividades e eventos ao longo do ano, como rodeios de búfalo e rodas de Carimbó, a dança típica paraense. Mas, nada mais importante do que o do Círio de Nazaré, que prossegue sua peregrinação desde Belém,  e entre outubro e novembro, mobiliza toda a população da Ilha de Marajó.
                                                                                            


Esqueci de dizer que pra chegar em Marajó não é nada fácil. Daria tempo de sair do Rio de Janeiro e chegar em Miami antes de aportar na ilha. Então prepare-se. Mas, o melhor da viagem é mesmo a barca que faz a travessia de praticamente 4 horas de Belém até Salvaterra, porto obrigátório para quem vai à ilha. Depois tem mais, seja de van ou onibus...
a barca que faz a travessia de Belém a Salvaterra

Para tornar a viagem de barco mais confortável, não deixe de pagar  alguns reais a mais pelo direito de acessar  à sala VIP, que conta com ar condicionado e poltronas reclináveis.  O trajeto  é bem cênico, principalmente ao entardecer,  e leva cerca de 3 horas e meia até o porto de Camará, em Salvaterra, entrada oficial da Ilha de Marajó.


Na Ilha de Marajó, começa a chover em janeiro, e o rio Pará sobe gradualmente. Muitos lugares cênicos ficam  parcialmente submersos.   A partir de julho, chove bem menos e as águas começam a baixar lentamente.  As praias aparecem , assim como os monumentais  igarapés , por onde os turistas podem fazer passeios cênicos de barco. O calor de 30ºC é presente o ano inteiro.



Pitoresco, o  mercado é um dos pontos mais visitados pelos turistas. Ele se divide entre o armazém de carne e o da peixaria. Super bem arrumadinho por dentro, vende também frutas,  produtos artesanais e as prosaicas ervas milagrosas e poções caseiras, que prometem curar todos os males da humanidade. Vá conhecer de perto as várias espécies de peixes que proliferam nos rios da região,  como o filhote, o tambaqui e o tucunaré. Mas, precisa chegar cedo para desfrutar o ambiente , que começa a ficar animado a partir das 4 da madrugada.

 
prato de filhote, peixe típico da ilha

 
uma praia de rio



A programação turística segue algo bem padronizado: o búfalo em primeiro lugar. Começa no cardápio, porque a carne é macia feito manteiga  e o queijo da búfala é delicioso. Em seguida,  é ter contato com o búfalo ao vivo, no manejo, pois o animal se presta para levar turistas a  passeios. Dá para montar numa sela, segurando uma rédea improvisada, ou, se falhar a coragem, subir numa charrete  puxada por uma parelha. As fazendas locais oferecem programas, sempre com guias  experientes.


búfalos selados para passeios turísticos



passeios pelos igarapés



Passeios a pé na beira de praias de rio, ou de canoa por igarapés são pacotes oferecidos em diversas fazendas particulares, que abrem suas porteiras ao público.  Difícil não se deixar contagiar com a exuberância da natureza e a fauna local.   E só quem esteve em  Marajó pode ter a oportunidade de admirar uma revoada de guarás, aves de penas avermelhadas que se assemelham a  garças. E´ raro conseguir ver um bando muito numeroso, e o espetáculo é inesquecível.


Quando bate o meio dia, até mesmo os búfalos vão se refugiar em alguma poça d´água. Sem contar que dali até às 4 da tarde, o comércio fecha as portas e todo mundo vai fazer uma siesta. Não se esqueça de sempre levar uma garrafinha de água para se manter hidratado, muito embora não faltam carrocinhas com água de côco e o oportuno vendedor de abacaxi que descasca na rua a fruta mais suculenta que você já tenha provado.  Todo mundo em Marajó se orgulha deste produto e enaltece a sua doçura.

praia pra que te quero!


Muita gente vem para Soure curtir as praias, das que beiram o rio e o Atlântico. De fato, só mesmo na água dá para aguentar o calor avassalador. Porém, é preciso levar em conta as oscilações da maré. Se estiver alta, nem dá para pensar em banho de rio, pois as águas estão agitadas  e não é muito seguro. Procure relaxar nas praias onde existe infraestrutura de barzinhos, como nas praias de Barra Velha e Pesqueiro.  Na maré baixa, tudo é festa. Em tempo: algumas só são acessíveis de táxi.



ceramica marajoara, uma tradição da ilha


sábado, 9 de abril de 2016

Hotel Dar Said, Sidi Bou Said, Tunísia, África


 
Baia de Tunis vista do vilarejo Sidi Bou Said

Construído sobre uma colina com vista panorâmica que se debruça sobre a baía de Tunis e a apenas 20 quilômetros da capital, Sidi Bou Said é considerado como o vilarejo mais charmoso da Tunísia, que também atrai turistas e moradores da capital Tunis em busca de temperaturas mais amenas, principalmente durante o verão do norte da África.


 Visitantes perambulam a pé pelas ruelas calçadas de paralelepípedos e se embrenham no labirinto de escadarias para explorar este antigo reduto aristocrata. Tudo encanta:  os pequenos souks, as belas casas antigas com suas portas esculpidas, as fachadas pintadas de azul e branco, os muros ornamentados por bougainvilles coloridos.



  Até o famoso artista Paul Klee encontrou inspiração nas cores vivas do local para embelezar as suas telas. Muitas delas retratam o vilarejo no final do século 19.  Restaurantes, bares e pousadas simpáticas como a Dar Said dão o toque de hospitalidade.

Pátio interno do hotel Dar Said

Ela tem piscina, um jardim interno bem característico e uma decoração que se não chega a ser do melhor gosto, é bem característica. As suítes são todas diferentes, algumas abrem sobre um pátio interno quase privado. E´ muito charmosa e extremamente bem localizada, você faz tudo a pé mesmo, em alguns minutos está no burburinho do vilarejo.

O colorido das especiarias 

artesanato local, cores vivas e detalhes interessantes na ceramica

portas com detalhes e cores azul e branca predominam 

artesão de rua


No final da tarde, é de praxe sentar na varanda do Sidi Chabaane Café para tomar um chá com hortelã e degustar  típicos doces tunisianos, enquanto se contempla o cenário fabuloso do sol que despenca no mar.       
Passeio de camelo na bela praia a proximidad de Carthago: turístico e divertido

 
Mas, depois de bisbilhotar as mercadorias a venda nas dezenas de biroscas de artesanato, visitar o porto e conhecer de cor e salteado cada ruazinha do vilarejo, não deixe de se aventurar para fora de Sidi porque algumas atrações são imperdíveis, como a histórica Carthago. As ruínas bem conservadas desta antiga cidade, edificada no século 9 A.C, e que só perdia em importancia para Roma, devem ser percorridas com vagar. 

As ruínas merecem ser exploradas com calma
 
As maravilhosas ruínas de Cartagho

quinta-feira, 7 de abril de 2016

• The Wauwinet, Nantucket, USA

Nantucket: nicho de glamour discreto para ricos e famosos




Drew Barrymore,  mais bonita ainda de cabelos ruivos, estava caminhando de mãos dadas com seu novo namorado. Ao passar por mim, abriu o maior sorriso. Retribuí a saudação com a maior naturalidade, – ou, digamos, como se estivesse dando um alô para uma pessoa conhecida. Não que o fato de esbarrar com uma celebridade no meio da rua seja a coisa mais corriqueira do mundo, mas a verdade é que  estávamos  passeando na calçada da charmosa Centre Street, uma rua de paralelepípedos em pleno centro de Nantucket,  pequena ilha do estado de Massachusetts que já foi um dos ícones mais relevantes na história dos Estados Unidos quando reinou como a capital baleeira mundial, entre os anos de 1800 a 1840. 
Detalhe do porto debaixo de neblina matinal

  Mas, ao longo das últimas duas décadas, ela se tornou um destino de glamour para a elite, ricos anônimos e famosos em busca de um nicho discreto onde pudessem perambular à vontade sem comprometer a sua privacidade e até mesmo manter o anonimato. Não fosse o número estonteante de jatinhos particulares semeados no  cozy Memorial Airport – mas que vem a ser o aeroporto de maior movimento de aviões privados do país! -  daria para jurar que você está passando férias numa ilhazinha qualquer. 
Jatinhos particulares na pista do Memorial Airport

Low profile por natureza, com aproximadamente 126 quilometros quadrados e emoldurada por mais de 70 quilometros de praias, a ilha inteira é um Distrito Histórico com mais de 800 edificações construídas antes da guerra civil e que ainda estão no seu lugar de origem. E, é claro, mantidas em perfeito estado de conservação. Sem exceção, seguem um rígido padrão arquitetônico, com traços semelhantes: todas têm no máximo dois pavimentos, são feitas inteiramente em madeira e as fachadas levam acabamento em taubilha, que adquirem uma cor acinzentada com o passar do tempo; também sempre há abundancia de janelas e os marcos das portas, alizares, balaustradas e varandas costumam ser pintados de branco.
Típica construção com widow´s promenade


 Outra característica típica das casas antigas erguidas durante os séculos 18 e 19 é a peculiar widow´s promenade, uma varanda construída em parte do telhado e que servia para que as mulheres pudessem avistar de longe os navios baleeiros que estivessem retornando ao porto, após anos de ausência. Como muitos maridos perdiam a vida no mar...daí o nome.

Mas, caso apeteça se dar ao luxo de adquirir uma destas residências de veranistas (que hoje em dia é o que de fato são, pois a ilha é habitada por menos de 4 mil pessoas), prepare o talão de cheques: qualquer mansão ou casa, esteja ela fincada na beira de umas das praias, num promontório, fora ou no centrinho da cidade, tem uma cotação de base com um mínimo de 7 cifras. No entanto, uma propriedade pode facilmente catapultar para U$ 25 milhões.


Caro, né? Convenhamos, exclusividade não sai nada barato. Até mesmo se hospedar nesta “terra longínqua” garante sérios danos ao seu cartão de crédito, e embora a infraestrutura hoteleira faça jus às diárias, digamos que só faça mesmo sentido para quem chega com seu jatinho particular:  alguns dos cinco estrelas espalhados em Nantucket chegam a estamparem, na alta estação que vai de junho a setembro, preços de até U$ 2500 por dia para uma luxuosa acomodação dupla.


 Encabeçando a lista, temos o aconchegante Wauwinet ,  um Relais & Châteaux eleito pela Condé Nast como um dos Top 10 Small Hotels dos Estados Unidos. Encravado numa ponta remota da ilha, com praia particular e muitos esportes náuticos privativos ao alcance da mão, abriga também o restaurante Topper´s , considerado um dos melhores pelo Zagat. A sua adega conta com 20 mil garrafas e cerca de 1600 rótulos de vinhos de todas as procedências.

O discreto Wauwinet, de frente para o mar, um Relais & Chãteaux aconchegante.


Mas, se são atividades ao ar livre que voce está garimpando, não faltam opções para se divertir na natureza de maneira saudável.  De praias desertas com ou sem ondas a esportes náuticos que vão de caiaque a windsurfe, do surfe a esqui aquático, da pesca oceânica à vela, tem de tudo um pouco. Sendo que equipamentos e lanchas apropriadas podem ser alugadas à vontade sem maiores burocracias. Em terra, eu diria sem pestanejar que o transporte oficial em Nantucket são as bicicletas, e a bike lane alinhava com segurança todo o contorno da ilha – que é totalmente plana.

prato típico de Nantucket, a lagosta é servida em inúmeros restaurantes

 Além de gastar as calorias adquiridas após ingerir quilos de lagosta ( que é a matéria prima local mais reputada e presente em todos os cardápios), dá para desfrutar da natureza ao redor, graças aos 45% de área verde preservada.  Vespas, quadriciclos e motocicletas também estão disponíveis e tem até gente curtindo carros muuuuuuuito antigos. Ah, os que não querem nada disso podem usar o transporte público The Wave – o eficiente serviço de ônibus.



Embora esteja a apenas 1 hora de vôo de Nova Iorque e 35 minutos de Boston, Nantucket é sui generis em vários aspectos. Para começar, seu nome se refere tanto à ilha quanto ao condado e à cidade, caso único nos Estados Unidos. Caso único também no que diz respeito às intrigantes normas locais:  sinais de transito não existem, não é permitido nenhum néon, outdoor ou qualquer painel luminoso e (pasme!) você vai morrer de fome se procurar por um Mac Donald´s ou Starbucks. Simplesmente não aporta na ilha nenhuma cadeia comercial do gênero e esta regra se estende a...você adivinhou? Isso mesmo, marcas famosas como Prada, Gucci ou Louis Vuitton também não penetraram no pedaço. A única exceção é a Ralph Lauren, que (ninguém sabe explicar bem como nem porque) conseguiu, hum, driblar a vigilância e tem uma soit-disant discreta loja de esquina na Main Street, a rua mais movimentada da cidade.



vista do centrinho da janela do Museu Marítimo

No entanto, a ausência de grifes não impediu que no centrinho histórico de Nantucket se formasse um efervescente burburinho com lojinhas fashion recheadas de adoráveis modelitos assinados por designers independentes, fora butiques sofisticadas, joalherias, galerias de arte, museus, antiquários e muito bric-à-brac para distrair a turma de visitantes, um melting pot de milionários (com ou sem sobrenome ) turistas e day-trippers que circulam dia e noite pela ilha. Eu disse noite? Bem, devido a uma severa lei do silêncio, imposta até mesmo aos aviões particulares que são obrigados a desviar de cima dos telhados de, por exemplo, algum big shot da Google, Nantucket não é exatamente o destino ideal para quem está a fim de agitar.

Porto, barcos e atmosfera típica


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Horned Dorset Primavera, Rincón, Puerto Rico

Pôr-do-sol diante do hotel é um show diário
Vai uma praia exclusiva pra comemorar aniversário?


Comemorar aniversário pode ser um dilema para muita gente: é pra passar a dois ou com amigos e família, em casa ou escondido em algum lugar do planeta, com bolo ou sem...Passar despercebido ou fazer alarde? Com o tempo passando, a escolha acaba sendo um caso sério.
Mas, opções é que não faltam pra quem quer fugir pra um destino menos cobiçado. Foi o que aconteceu num destes anos...
o Horned Dorset Primavera se debruça literalmente sobre uma praia privativa

 Fomos parar no único Relais & Châteaux de Puerto Rico.   Emoldurado pelo Estreito de Mona, o Horned Dorset Primavera  tem uma localização privilegiada em Rincón, uma região ao oeste da ilha que se tornou  famosa pelas suas praias extensas, com boas ondas, ideais para a prática de surfe.  E a água é quentinha...

Atraídos mais pelo pouso onde ficaríamos três noites, quase não deixamos o hotel,  porque realmente é um recanto cheio de charme.  Fomos explorando a redondeza  aos poucos, em caminhadas pela praia que se estica bem, almoçamos num restaurante típico...

 Porém,  no Primavera, a praia é só nossa e o restaurante gastronomico. Ficamos mesmo  reféns felizes de um oásis retro-glamoroso - esqueci de mencionar que a arquitetura é estilo neo-colonial, parece que você está na fazenda de um amigo, com 22 suites e onde você praticamente não esbarra com ninguém. 

 Ah,  pra quem joga golfe, é bom saber que tem um campo de 9 buracos a 25 quilometros de lá. 


Para surfistas, ondas perfeitas a qualquer hora.

São apenas 22 suítes espalhadas por um jardim tropical

Piscina privativa

A nossa suíte era uma villa, na verdade. Com dois andares, uma vista irrepreensível, uma cama de fazer príncipe, uma piscina privativa, enfim, uma casita pra chamar de nossa, bem cozy e romantica. 

Perfeita pra comemorar aniversário. Só que era tão destacada da sede que a gente atravessava todo um belo jardim tropical até chegar ao restaurante, por exemplo. 
O que mais curti foi o café da manhã al fresco, debaixo de ombrellone, com o mar diante dos olhos e uma praia totalmente particular. Uma delícia. Tanto o panorama como o desayuno!



Desayuno al fresco, com essa vista deslumbrante


O Primavera, como é mais conhecido pela gente da terra, tanto pode ser acessado de carro por uma bela estrada panorâmica, ou de aviãozinho, que percorre em 40 minutos os 200 quilometros que separam a capital San Juan de  Mayaguez , onde fica o pequeno aeroporto regional.  


Água caliente e calma, perfeita para um mergulho.


sábado, 2 de abril de 2016

Art´Otel, Budapeste , Hungria



Acordar com esse nascer do sol e o skyline do Parlamento de Budapeste...o resto é Mastercard!

Na capital da Hungria, a  estação da primavera, com imprevistos meteorológicos e caprichos da natureza,  pode surpreender  os amantes do Danúbio, rio cantado  em verso e prosa e que tanto enfeita a cidade. 
O Danúbio invade a pista em alguns trechos durante a primavera




Frequento Budapeste - hoje a 25ª  cidade mais visitada do mundo - desde 1976. Minha família vem todinha deste belo país do leste europeu, e sempre tive muita história pra desvendar. A cada vez que eu fui, seja jovem, adulta, acompanhada ou só, descobri uma cidade diferente. Me hospedei em diversos hotéis, daqueles famosos hotéis-spa em Buda aos modernosos de Pest, alguns ótimos, outros medíocres. 

Porém, foi sob os auspícios de parentes que aprendi a gostar desta cidade. A pé, de tram, de carro, zanzei por Budapeste e consegui explorar muitos cantos que fugiam dos holofotes dos turistas. O que mata é o idioma, incompreensível para a maioria dos mortais. Eu inclusive.

Vista da cidade desde as fortificações do castelo de Buda

Um dos hotéis que curti bastante, tanto no ambiente quanto na comida, mas principalmente pela vista estupenda , foi o Art´Otel, estrategicamente localizado em Buda, que ( há controvérsia) é considerada como a parte mais nobre da cidade em comparação com Peste - eram duas cidades distintas que só se fundiram no final do século 19. A primeira atrai aqueles turistas que adoram perambular pelas ruelas medievais, fazer compras na feirinha de artesanato,  visitar o castelo de Buda e apreciar a vista deslumbrante sobre o rio e Peste. Já eu fiquei babando a vista da minha suíte, que se debruçava sobre o Danúbio e o Parlamento,

Lá em Peste, nunca deixei de passar no Mercado Central, por exemplo, para fazer um estoque de salaminho, uma iguaria que reputo como ( disparado!) o melhor do planeta. Mas, pode ser sentimentalismo, muito embora qualquer um consegue ficar doido nesse mercadão cheio de frutas, doces e frios. 



tradicional endereço gastronomico



E falando em guloseimas, a Gerbeaud, famosa pâtisserie da cidade , é reduto de turista sim, mas você não pode deixar de sentar lá, o ambiente "velho mundo" é contagiante. Senta lá,  nem que seja pelas cortinas...que obviamente não são pra comer, então aproveite e peça um docinho húngaro, tipo um mil folhas...Sem arrependimento.

o salaminho húngaro:  não tem pra ninguém...

Uma das entradas do Mercado Central

Se não me falha a memória, aos domingos de manhã, em toda a extensão do Chain Bridge, uma das pontes mais movimentadas  da capital, tem uma feirinha ao ar livre. Lá comprei um recipiente para mel que uso diariamente. Também fotografei as balas e jujubas mais coloridas que já vi. De tão lindas nem dava vontade de comer.

Numa ocasião, fui (finalmente) experimentar um daqueles banhos públicos. Já começou a experiência com uma massagem de 10 minutos de arrancar o couro, pra depois entrar numa sauna e só então se molhar na piscina gigantesca onde todo mundo faz de tudo menos nadar - jogam cartas, conversam em grupo, parece uma festa, só que tá todo mundo de roupa de banho. 

o famoso Chain Bridge com Buda e o seu castelo atrás


Buda e Pest divididas pelo Danúbio: repare como as águas estão acima do nível!

Budapeste consegue ser cheia de graça até mesmo debaixo d´água. Explico: quando há muita chuva no interior do país, o Danúbio transborda em diversos pontos cruciais de Budapeste, modificando as imagens clássicas dos cartões postais e principalmente modificando a rotina do trânsito nas duas margens.

Danúbio invade a pista de carros

 Em alguns trechos, como em frente ao Parlamento, impede  até a passagem de automóveis e bondes. Em Buda, os barcos ficam bem rente ao asfalto, causando um efeito curioso. Mas, o melhor de tudo  é que mesmo nestas circunstâncias,  tanto Buda quanto Peste  continuam lindas e cheias de encantos.

Os habitantes - e os turistas também - não se inibem diante dos empecilhos formados pelas águas . Apenas os pequenos navios de passageiros que transitam entre Budapeste e algumas cidadezinhas turísticas deixam de zarpar, alegando falta de segurança. Uma pena....

docinhos coloridos na feira 


Mas, enquanto as águas não baixam, dá para se divertir à vontade num dos destinos mais cobiçados da Europa  - lembrando que em Budapeste tem cassinos (eu não sou de jogar, mas uma vez acabei fazendo uma fézinha e saí com 20 dólares a mais no bolso !) , boa gastronomia e,  ressaltando uma característica típica ,  tem a  mega hospitalidade húngara  (mesmo se nem todo mundo fala inglês).