quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Mandarin Oriental Hyde Park, Londres, Inglaterra

Narrow boats : casas flutuantes típicas transitam em Little Venice

Há uma década atrás, enquanto passeava pelo bairro de Little Venice, um dos cenários londrinos mais pitorescos e conceituados da cidade, me chamou a atenção o grande número de pequenas balsas ancoradas nas duas margens do estreito canal do Regent’s Park.



 Curiosa, fui bisbilhotar de perto esta extensa marina, caminhando ao longo do canal. Mas o que eu queria mesmo era saber o que se escondia atrás das portas coloridas fechadas ou semi-abertas destas embarcações de estilo padronizado, cujas proporções nada tinham de convencional: eram tão estreitas que eu cheguei a duvidar que alguém pudesse se mexer lá dentro sem dar um nó nas pernas ou, literalmente, enfiar os pés pelas mãos. Outro detalhe curioso eram as suas proas, tetos e popas: de tão ornamentados, seria difícil navegar sem que tudo despencasse dentro das águas turvas do canal.


 Na realidade, a quantidade de adornos, enfeites soltos, jardineiras presas ao casco e ancoras para lá de enferrujadas, indicavam que a maioria daqueles barcos não tinha intenção de zarpar.  Eu havia acabado de descobrir o modo diferente – e bem britânico – de fazer daquilo que era denominado narrow boat,  um lar.


Traduzindo ao pé da letra, narrow boat significa barco estreito. Com características muito semelhantes às daquelas balsas que eram utilizadas durante séculos para o transporte de mercadorias, a embarcação tem um calado muito baixo e só serve para a navegação fluvial. A sua largura é de no máximo 1.82 metros, embora o comprimento varie entre 10 e 17 metros. Hoje, este tipo de barco cheio de carga já não trafega nos canais ingleses com esta função, mas a tendência fez com que poucos virassem sucatas: ao longo dos anos foram sendo adquiridos a fim de serem transformados em confortáveis moradias flutuantes por pessoas que enjoaram de morar em casas convencionais.


Além disso, também não faltam na Inglaterra estaleiros que se especializaram em construir narrow boats sob encomenda, novinhos em folha, e com todo um requinte de design de interior. No entanto, por mais transformações e transfigurações internas que se faça, apenas a sua largura jamais poderá ser modificada. A razão é simples: dentro da imensa teia de canais, que soma mais de 300 milhas navegáveis em todo o Reino Unido, há inúmeros túneis cuja largura não ultrapassa os 2 metros. Sendo assim, é uma equação matemática.  No comprimento, entretanto, os narrow boats variam muito e os preços também se alongam conforme as medidas. 


 Os cascos, de madeira, são sempre pintados com cores alegres e as portinholas ganham motivos campestres ou até mesmo medievais.  Por quê? Ninguém sabe explicar.

 Com a fleuma natural de quem não estressa por nada mais neste mundo, os habitantes dos narrow boats de hoje têm apenas uma preocupação: achar uma vaga para estacionar na margem do canal. Como se em Londres fosse fácil achar uma vaga, onde quer que seja...

Por mais que sejam pitorescos, dada a temperatura ambiente do Reino Unido, ainda acho mais confortável você ficar hospedado no impecável Mandarin Oriental, cuja célebre localização entre o bucólico Hyde Park e a glamorosa Knightsbridge não tem parâmetros com nada nesta ilha. Isso pra quem curte luxo, serviço irrepreensível, e, uma vez lá fora, lamber vitrines, pedalar no parque, praticar o people-watching ( do lobby do hotel ao Harrods)...
Localização mais do que perfeita, em pleno coração de Knightsbridge

Majestoso, cujo nome soa como sinônimo de perfeição onde quer que seja, o Mandarin é um deleite para qualquer mortal em todos os quesitos. Lá, você pode tomar o chá das cinco mais tradicional possível - ou mais sofisticado, se preferir, pois até champagne consta do cardápio.

As suítes são gigas, abarrotadas de amenidades e mimos, roupões macios e lençóis envolventes.  Difícil mesmo sair lá de dentro...Porém, vale a pena dar um pulinho - principalmente em dia de chuva e frio - lá no Little Venice, só pra ter o prazer de voltar correndo pro hotel...



domingo, 6 de novembro de 2016

Pousada Do Lado de Lá, Aiuruoca, Minas Gerais

Estrada cheia de obstáculos, restrita a 4x4, pra chegar na pousada mais alta do Brasil. Tente seguir a estradinha com os olhos...

Localizada no estado de Minas Gerais, a 1900 metros acima do nível do mar,  consegui chegar na pousada mais alta no Brasil.  Um refúgio, melhor dizer. Ecológico ao extremo, mas sem sombra de dúvida um recanto único para os amantes da natureza. Não quis ir pra lá atrás de luxo, mas sim de originalidade, de um canto especial, onde o tal luxo está integrado na gentileza e na hospitalidade e não necessariamente nos aposentos.



Porque não é lá que você vai encontrar mordomo 24 horas à sua disposição ou massagem no quarto. Pelo contrário, pode deixar o celular em casa  porque  sinal naquelas alturas, onde afinal você dorme acima das nuvens, é precário ou inexistente.

A sensação é garantida: você vai se sentir no topo do mundo, abraçado pela mata Atlântica, cachoeiras e muito verde. Só pra chegar, já precisa de um carro tracionado. Ou então contar com o traslado da pousada a partir de um certo ponto.
A vista é infinita.

O astral mágico da Serra do Papagaio é contagioso e não por acaso já ouvi dizer que o tal lugarejo chamado Aiuruoca (bem fora da rota da maioria dos turistas que seguem pra região mineira) é um destino predileto dos OVNIS...

 Estamos a apenas 270 quilômetros do Rio de Janeiro, mas parece que decolamos do planeta terra. Até mesmo o próprio nome necessita de alguma ginástica linguística até ser corretamente pronunciado - e quanto ao escrito, nem se fala. Mas, Minas, sempre magnífica, tem dessas coisas. 
Cachoeira dos Garcias



Com um nome misterioso e significativo como Do Lado de Lá, a pousada conta com uma dezenas de acomodações, algumas dentro da própria sede, nas quais você divide o banheiro; outras, com mais comodidades, são bangalôs que foram construídos no terreno e variam de tamanho. As mais luxuosas têm até uma jacuzzi. São projetos rústicos, mas cheios de personalidade. E as camas são confortáveis, há zilhões de cobertores... 



E, além do tamanho, varia a decoração também. Ao todo, são menos de 10 quartos. E, como você adivinhou, a pousada é all-inclusive - até porque você nem tem pra onde ir. Porém, a boa notícia é que tudo é cozinhado em fogão a lenha - sim, você adivinhou também, lá não tem luz elétrica. Ou seja, televisão também não...Leve um bom livro pra ficar relaxado no jardim, confortavelmente instalado numa espreguiçadeira , diante de uma paisagem fantástica.




Então o jeito é dormir cedo, depois de um romântico jantar à luz de velas, após ouvir os "causos" contados pelo dono da pousada, com todo mundo sentado em volta da lareira-  mesmo no verão ninguém fica sentindo calor a quase 2 mil metros de altitude.

De manhãzinha, acordando com as galinhas ( será??), não dá pra não se impressionar. E´ tudo tão bonito, tão fora-de-série...Eu estive lá numa fase em que era moda fazer turismo, eco-turismo em 4x4. Quanto mais ingrato o terreno mais emoção. Como não podia deixar de ser, Aiuruoca é um berço de cachoeiras, abarrotado de trilhas e um colírio para qualquer fotógrafo. As nuanças de luz e a súbita mudança do tempo fazem parte da rotina diária.


Paisagem dramática do alto de quase 2000 metros acima do nível do mar.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Villa Tiboldi, Canale, Piemonte, Italia


Vista do banheiro: alguém resiste???

A região do Piemonte é conhecida como o berço dos vinhos Barolo, Barbaresco e Roero. Além disso, também é reputada pela gastronomia requintada e caprichosa. Em suma, destino pra quem aprecia a boa mesa e boas safras. Ainda acrescento mais:  é a terra do agriturismo com um cenário digno de uma colcha de retalhos com várias  nuanças de verde, oferece um generoso leque de hospedagem. 

A Villa Tiboldi é agradável e discreta, cercada de vinhedos por todos os lados
Tem pra todos os gostos e bolsos, mas as diárias costumam ser de honesto teor.

Imagine chegar  no topo de uma colina, com vista em cascata sobre dezenas de vinhedos. e um panorama de toda a região do Piemonte, e se deparar com uma mansão discreta, silenciosa, com uma bela piscina que se debruça também sobre uma vinicola .... Mas a melhor noticia é essa: Villa Tiboldi é um  hotel butique acolhedor, com jeitinho de casa de amigos. A gerente vem saudar os hóspedes, e faz um tour pelos recintos todos.

O nosso quarto - número 6, anota aí, se gostar... -  era imenso, com uma vista que se despencava vinhedos abaixo, mas sabe de onde eu curti mais? Era da janela do banheiro...De lá eu admirava as villas vizinhas empoleiradas nas colinas e aquele tapete verde estendido por quilômetros. Essa cama, digna de fazer príncipe, também virada pra janelões, faz a gente se sentir como realeza.

O melhor do Piemonte é perambular pelos vilarejos espalhados em cada colina. O mais sensato é deixar o carro num estacionamento próximo e percorrer as ruelas a pé. Aliás, muitos deles nem permitem a entrada de automóveis, o que é ótimo. Aí você vai parando em cada lojinha, apreciando as vitrines e principalmente aproveitando pra fazer degustação nas vinícolas que se encontram em cada esquina. Um dos mais pitorescos é o vilarejo de Barbaresco, cuja atmosfera de antão paira no ar. Uma viagem no tempo, digamos...Aproveite também pra comprar algumas garrafas de safras exclusivas

As trufas estão presentes nas massas caseiras, são a, especialidade regional
Muita gente acha que novembro já não é mês pra se locomover pela região. Mas, é justamente no outono que se foge dos turistas e olha que você vai se deixar surpreender por temperaturas ainda  amenas e o céu azul. E´ óbvio que os vinhedos não estampam mais esse verde , e a colheita já terá ocorrido, mas assim mesmo o cenário é sempre gratificante. Um colírio para os olhos e, como não acrescentar, a região é um sonho para quem aprecia a boa mesa. As trufas, que tanto encantam os comensais, fazem parte dos cardápios...


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Hotel le Morgane, Chamonix, França

Assustador e cativante, as Aiguilles du Midi são um cenário único


Com certeza você já ouviu falar de Chamonix. Um resort de esqui famoso por suas pistas desafiadoras, seu vilarejo borbulhante, animado, repleto de gente bonita e esportiva, restaurantes gastronômicos e toda a badalada vida noturna. No inverno, é claro...

Cartão postal sem neve...

Pois você nunca imaginou que, durante os meses em que só se vê neve no topo dos cumes ( e estamos falando de cumes que ficam  a quase 4 mil metros de altitude, láááááááá no horizonte, daqueles mais encostados no céu), você poderia desfrutar desta adorável cidadezinha francesa de uma maneira ainda mais legal.

 Plantada num vale cercado de montanhas imponentes, Chamonix se faz bela e atraente emoldurada por florestas e um cenário florido. O clima é quente, agradável e com temperaturas que permitem andar de short e camiseta até mesmo no final de setembro. À noite, o termômetro despenca um pouco mas nada aterrorizante: um casaquinho e, pronto, você esta fit pra percorrer - a pé, naturalmente - o centrinho abarrotado de restaurantes, sorveterias  irresistíveis e principalmente se interessar, bisbilhotar as lojas de artigos esportivos com marcas mais ou menos conhecidas. Para atividades esportivas também mais ou menos radicais...

restaurante na montanha, a mais de 3000 acima do nível do mar


Sim, porque nos meses off-esqui, Chamonix é a capital das atividades ao ar livre, da caminhada da vovó a  trekking  pra superwoman, ou seja,  competições dignas de  atletas,  como a tal corrida morro acima (e abaixo) por nada menos do que 50 quilômetros.  Amarelou? No entanto, nada mais comum do que enquanto você está descendo uma trilha, há outras dez pessoas subindo...CORRENDO!!  Isso, correndo. E isso, gente, na maior tranquilidade,  como se estivessem passeando na sala, e ainda acenam e passam por você rindo !! Sempre apoiados em um bastão, aliás, um em cada mão. Chamam isso de "caminhada' nórdica.

Nós fizemos aquele típico programa turístico, pegamos um teleférico ( bastante aterrador se você considerar que sobe de 1000 metros pra 3842 em poucos minutos, rente a um paredão, ou em muitos trechos se balançando no vazio) que leva você até as majestosas Aiguilles du Midi. De lá, tem duas opcões - ou mais, se você estiver imbuído do espírito  Chamonix-de-ser : descer a pé até a cidade , - são 1200 metros de desnível  e chegar praticamente aleijado, sem perna nem dedão

do pé,  percorrendo a trilha muito bem sinalizada e com vistas de tirar o fôlego ( que já perdeu mesmo....) . Detalhe, apesar de ser ladeira abaixo, a experiência é deslumbrantemente puxada. Outra idéia é subir até o cume com outro bondinho intrépido.

Os parapentes passam raspando na gente, mas confesso que prefiro estar com os pés no chão mesmo....

 Ou, ficar por ali mesmo e dar uma voltinha , tranquilamente, até chegar numa bela lagoa de altiplano. Ah, ainda.tem um simpático restaurante com vista pra cadeia de montanhas, onde dá pra relaxar sentado numa varanda ao ar livre tomando alguma coisa.


 Porém, este segundo bondinho, que carrega 60 passageiros, despeja todo mundo no topo onde a melhor coisa a fazer , além de observar os (incautos) corajosos que se atrevem a se equilibrar encima da estreita "corniche" recoberta de neve,  é almoçar no restaurante 3842 , que serve pratos regionais como vitela recheada e outras receitas típicas...São poucas mesas, então vá cedo pra não ter que esperar.

Chamonix, lá embaixo, fica a 1200 metros de desnível

Lá do alto do mirante, sempre com temperaturas abaixo de zero e um vento quase constante, o panorama é indescritível. São 360 graus de belezura e natureza intocada. Confesso que é bastante impressionante. Você  se sente no topo do mundo, com algumas montanhas aos seus pés e outras ainda que se erguem com imponência em sua volta.

Tem gente que se atreve a desafiar a montanha, se equilibrando na beirinha do precipício.....

De volta à cidade, fiquei feliz que o nosso hotel, o Lle Morgane, estava realmente encravado a menos de 100 metros do centrinho, o que significava que estávamos a poucos passos dos restaurantes e comércio em geral.  Que abre aos domingos como se fosse dia de semana, emanando uma atmosfera  festiva e descontraída até altas horas da noite.





O Morgane é um boutique hotel muito bem situado, afastado o suficiente pra fugir de qualquer barulho noturno, mas ao lado de tudo. São suítes modernas e bem decoradas, com vista para as montanhas e varandinha cozy. As amenidades são generosas e o espaço é amplo. Adorei o serviço simpático e acolhedor e o café da manhã estava extremamente bem servido.

Da próxima vez vou dedicar um tempinho pra explorar o spa, que, curiosamente, oferece tratamento pra criança - veja só, os seus santinhos poderão curtir uma massagem que nem gente grande. Gostou da idéia? Então aproveita ainda antes que caia aquela nevasca de deixar Chamonix branquinho...o que não vai tardar!!




terça-feira, 18 de outubro de 2016

Pousada Brisas do Espelho, Praia do Espelho, Bahia

Vista do modus vivendus na Praia do Espelho

Não importa muito a época do ano, porque Bahia é sempre uma caixinha de pandorra. Ou seja, surpreendente. Evidente que quando você pode se dar ao luxo de escolher as datas em que quer viajar, melhora as coisas em vários aspectos.
Piscinas naturais, habitat irresistível dos turistas


Fora da alta temporada, dos feriadões, das fé rias escolares, Carnaval e Ano Novo, tudo fica menos caro ( eu não disse mais barato, só menos caro!), tem mais escolha nas acomodações, o serviço fica mais eficiente e parece que a gente é mais bemvindo ainda.

Quando eu soube que havia uma nova pousada na Praia do Espelho, há cerca de seis meses atrás, me empolguei. Fiz as contas e me dei conta de que fazia mais de dez anos que não pisava naquele pedaço baiano. As lembranças datavam de um final de ano em que alugamos uma casinha de pescador na Praia do Espelho, rente à praia e a um restaurante simples, onde tomávamos café da manhã.



Lembranças boas, num ano em que o lugar era pouco conhecido, pois o que imperava na região era Trancoso. No Espelho a praia era nossa, não havia quase movimento embora fosse época de Reveillon. O restaurante do Baiano, típico mas com uma bossa balinesa na decoração praiana, servia regalias caseiras e agradava a todos os paladares. O restaurante da Sylvinha oferecia a especialidade do dia com hora marcada. E tudo era uma delícia.



Então marquei agosto, bem fora de alta temporada,  aproveitando que os olhos se voltavam para as Olimpíadas no Rio, pra voltar pra lá. A pousada Brisas do Espelho, que recentemente havia passado por uma mega reforma, nos surpreendeu pelo serviço atencioso, a deliciosa comida, as suítes equipadas com tecnologia e uma cama do tamanho de uma quadra de basquete.

 A decoração é clean, com objetos oriundos do artesanato regional. O café da manhã vem com tudo que tem direito, às vezes como bufê, em outras ocasiões servido diretamente na nossa mesa. Até mesmo o ovo quente saiu perfeito!!  E olha que só tinha a gente na pousada durante estes dias...

Praia do Outeiro e o apoio do clube, exclusivo aos hóspedes do condomínio e da pousada Brisas do Espelho.

Detalhes das suítes rente ao jardim
A localização não era pé-na-areia, como eu prefiro. Mas, pra criança é ótimo pois a piscina é bem gostosa e tem um bar de apoio que em algumas épocas do ano serve até sushi. No entanto, se fizer o que a gente fez e ir até o clube de apoio, a dois minutos de carro, lá tem tudo o que você pode imaginar diante dos olhos: o mar, uma piscina, um bar e um restaurante - e é claro que serve igualmente pratos requintados e preparados na hora. E exclusivo pra hóspedes.
Praia do Outeiro, magnífica e deserta


Muquecas, peixe assado, camarões...E a praia, posso assegurar, é a melhor de toda a região. A tal praia do Outeiro. Com a vantagem de passar pouca gente. O clube, como disse, é de uso exclusivo aos hóspedes do condomínio e da pousada, portanto não tendo um bar pra abastecer os sedentos, ninguém se atreve a sair da praia do Espelho propriamente dita , pra caminhar por quilômetros sem ter onde beliscar um salgadinho ou tomar uma caipirinha. Simplesmente, isso garante privacidade e sossego.

Confesso que, mesmo não tendo perdido a beleza, a praia do Espelho - 15 minutos a pé da pousada - perdeu a áurea de praia perdida, ou digamos, deserta. Isso mesmo durante a semana na baixa temporada...São vans que levam turistas pra passar o dia e os bares cobram consumação mínima de 50 reais só pra sentar nas espreguiçadeiras. Isso na baixa, não me atrevo nem a pensar o quanto cobram na alta. E a comida é fraca, ainda por cima. Por isso, hospedados como realeza lá no alto, tínhamos a vantagem de ter nosso espaço próprio lá na beira da praia do Outeiro.
Paisagem imutável

Porém, o restaurante do Baiano continua firme e forte, digo isso pelo aspecto. Infelizmente,  não tivemos tempo de conferir se a cozinha continua no mesmo padrão. O mesmo digo do restaurante da Sylvinha, que exige reservas antecipadas e cobra 100 reais por pessoa por refeição. Aliás, os preços do sul da Bahia continuam tão salgados quanto a magnífica água do mar. Uma lástima, pois afugenta muita gente, mesmo os aficionados deste pedaço do litoral brasileiro, como é o nosso caso.