segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Thurner´s Alpenhof, Zürs, Áustria

Muitos quilômetros de pistas explorando cada ângulo das montanhas para esquiadores exigentes

A neve é um dos melhores atributos de Zürs

E´ verdade que a memória da gente engana qualquer mortal. Dizem que quando você tem lembranças fantásticas de um lugar nunca mais deve voltar lá. Eu discordo em parte, porque gosto de curtir novamente o que me deixou feliz,  embora algumas vezes fiquei decepcionada quando retornei a uma cidade, a um restaurante, a uma praia ou a um hotel. E, ocasionalmente, acabo ficando encima do muro, sem saber se gostava mais do que era antes ou das modificações ocorridas.

Rodeado por uma paisagem fenomenal, o esquiador se inspira e explora cada cantinho das pistas



Nova interligação entre St Anton e Zürs atrai centenas de esquiadores 
A neve em Zürs, sem sombra de dúvida, é uma das coisas que se destacam neste vilarejo composta apenas de meia dúzia de hotéis estrelados, todos aplicando o regime de meia-pensão, proximidade aos ski lifts e facilidades para guardar o equipamento. As pistas emolduram tudo, em cada lugar que você joga os olhos vai ver uma. Que desembocam dentro de Zürs. Ski-in,ski-out, como se define esta mordomia. Ou seja, ninguém precisa caminhar mais de 5 minutos pra sentar numa cadeirinha ou entrar no bondinho. E estas instalações interligam o restante das estações vizinhas, como Zuga, Lech, St Anton, St Christoph, que emolduram esta região conhecida como Arlberg. Em tempo: lá você pode esquiar até a última semana de abril. Já vai se planejando pro ano que vem...

O vilarejo de Zürs visto de cima da montanha, a quase 3000 m de altitude

Lech, muita animação a qualquer hora do dia e da noite

Azuis, pretas, vermelhas...Em outras palavras, Intermediárias, difíceis e médias. Fáceis, nenhuma... No entanto, são todas longas, largas, bem desenhadas e bastante íngremes. Não chega a ser um passeio no bosque, como em outras estações. Zürs é pra purista, aquele esquiador que vai dormir só com uma idéia na cabeça - acordar o mais cedo possível pra ser o primeiro a deslizar pelas pistas recém-grumadas pelas máquinas. Você não vê muita gente fazendo tele-ski, por exemplo. Pra quem nunca viu ou nunca ouviu falar, são  aqueles esportistas alucinados e com a resistência de um touro miúra que vão subindo a pista com os esquis nos pés , em passos lentos cadenciados - imagine uma inclinação de 30 graus no mínimo, gravidade contra, resistência da neve,,, e você subindo a ladeira ! Haja coração! Eles aparecem como lilliputs desafiando a gravidade, porque aqui as pistas são,como eu disse, íngremes.



Cada estação inventa um circuito ( ou mais de um) e rotula cada  deles com um nome pomposo, que soa bem aos ouvidos. Tipo Weiss Circuit (Circuito Branco, traduzindo ao pé da letra). Outro se chama Circuito da Fama, que reverencia a celebridade que o criou - já viu que é melhor não  tentar muito imitar, estamos falando de um itinerário de nada menos que 65 quilômetros. Quando a gente esquia muito, penso em 20 quilômetros e olhe lá! As perninhas já ficam parecendo gelatina. Felizmente, o Alpenhof oferece aulas de alongamento no final da tarde que é pra desempenar o esqueleto moído.

Detalhe de igreja em Lech

Comer na montanha é também um desafio: de longe os terraços dos restaurantes parecem formigueiros, de tanto esquiador que apeia pra sentar nos bancos de madeira e ficar tomando cerveja, comer wrust ( salsichas) e aproveitar a temperatura amena e o sol pra pegar um bronze. Você vê até gente de regata jiboiando em espreguiçadeiras. E isso não apenas nos terraços dos restaurantes, mas em alguns mirantes onde desembocam os bondinhos. Aí você relaxa por alguns instantes, antes de encarar novamente as pistas.



bufê no  café da manhã do Alpenhof

Fachada do hotel Alpenhof
Zug, um dos pequenos resorts de esqui, ao alcance por esqui.



Bem comer sobre esquis também depende do gosto de cada um. Quem gosta de comer bem prepare-se pra fazer reservas com antecedência no Verwallstube Galzig, em St. Christoph , a poucas montanhas de Zürs. Esse tal de Galzig é um restaurante com  um ambiente incrível, vista panorâmica ( reserve na varanda ) e comida sofisticada e deliciosa, servida com esmero. Mas, outros lugares, como o Hospiz Alm, também tem suas características e certamente são animados na hora do almoço. Dezenas de esquiadores largam seus esquis defronte ao restaurante, formando um tapete colorido.




A imensidão da cadeia de montanhas emolduram uma paisagem feérica

domingo, 27 de agosto de 2017

Pousada da Terra, Serra da Bocaina, Brasil

A vista sobre Angra dos Reis desde a Cachoeira do Bracuhy é impressionante - e desafiadora.


Tem lugares que se conservam intactos com o passar dos anos. A modernização não consegue atingi-los, muito menos a internet e qualquer sinal de telefonia celular. São pequenos oásis que se mantêm num patamar abrigado até da civilização. A Serra da Bocaina  é um destes redutos de enormes proporções, encravada na Mata Atlântica. Mas isso não significa estar fora de alcance, ou  escondido no meio do nada, pois está localizado a 1200 metros acima do nível do mar, e apenas a  300 quilômetros do Rio de Janeiro e 470 de São Paulo, a 1200 metros acima do nível do mar, esta região exala a pureza de um ambiente que nunca se deixou contaminar com os efeitos do tempo, da globalização, da poluição sonora ou visual.

 E olha que não estamos tão longe de Paraty ( 49 km), Penedo ou até Angra dos Reis.
Aproveitando um feriadão, zarpamos rumo à Bananal, cidadezinha de interior que fica ao pé da Serra da Bocaina e que tem lá seus resquícios históricos, como uma locomotiva antiga e um terminal de estação ferroviária, ambos que datam de 1889.
Embora já tivessem se passado mais de 20 anos desde a nossa última visita, não houve nenhuma mudança significativa no ritmo pacato de Bananal, salvo a atmosfera mais animada devido a eventos festivos como encontro de motociclistas oriundo de várias outras localidades vizinhas e algumas procissões religiosas devido ao feriadão de Corpus Christi.

Cena rural na antiga cidade de Bananal

A mudança mais significativa na região foi o asfaltamento da estrada que leva de Bananal até o alto da Serra, com paisagens de tirar o fôlego e antigas fazendas. São pouco mais de 30 quilômetros até o alto da serra, muito bem demarcados e com um traçado em zigue-zague capaz de estontear os mais sensíveis à altura. A temperatura vai se modificando a cada curva, e no verão o calor é amenizado. No inverno, pode até cair uma geada e não são raros os dias em que o termômetro despenca para alguns graus negativos. Há quem desfrute com muito prazer esta sensação de estar, literalmente, em outro hemisfério. Melhor sempre se precaver e levar bastante agasalho.

A Pousada da Terra, encontrada após bisbilhotar a internet, funciona já há alguns anos por um simpático casal, Lili e Bruno. Ele se radicou na Serra da Bocaina após transformar a antiga morada dos seus pais em uma acolhedora pousada. Com chalés individuais, decorados com gosto e diferenciados, os hóspedes têm um leque interessante de opções. As famílias com crianças pequenas, como estávamos, são brindadas com uma casita de dois quartos, sala, cozinha, dois banheiros, televisão e uma lareira - item imprescindível naquela região, onde até mesmo durante o verão faz um friozinho básico.

Pousada da Terra e seus chalés individuais garantem privacidade total e relaxamento diante de uma paisagem fascinante.


E o que tem pra fazer naquelas bandas?  Levando em conta de que pode chover a qualquer momento e época do ano, é bom se planejar para eventual "chá de pousada". Ou seja, embora tenha videos e jogos à disposição dos hóspedes, leve seu baralho, seus brinquedos ( se for com criança) , um bom livro e filmes pra assistir. O wifi funciona razoavelmente então dá pra acessar a internet. Mas, claro, você não vai à um lugar tão abençoado pela natureza pra ficar enfurnado no chalé surfando a internet. Pelo contrário, leve também uma capa de chuva pra encarar os caprichos do tempo e poder caminhar mesmo debaixo d´água. Se você não é feito de açúcar, então é problema zero.  Na volta do passeio, entre na sauna da pousada e se reenergize pra ficar novo em folha.

Pesca da truta em pesqueiros próximos
passeio de caiaque pela represa



Cachoeiras estão sempre no caminho.

Ah, tem um restaurante bastante concorrido na região. E´ o da Bruna, uma personagem (quase) endêmica da Serra da Bocaina. A Bruna mantém uma cozinha à base de forno a lenha com especialidades mineiras-regionais. De mel a biscoitos caseiros, passando pelo inevitável arroz e feijão, não falta a truta - peixe fartamente criada na região. Ela vem grelhada, com ou sem molho, e seu sabor é de fato especial. Também servem alguns petiscos bem apetitosos e uma cachaça feita em casa. O restaurante vive cheio, principalmente nos finais de semana e feriadões.
A partir do restaurante da Bruna, já não há asfalto. Então já leve em conta que carros comuns não conseguem galgar alguns recantos da serra, principalmente se for procurar locais para praticar a pesca da truta. Alguns trechos são praticamente intransponíveis e um carro 4x4 tem que ter um motorista com destreza. Uma distração pode causar transtornos e sinal de celular por ali nem sempre é evidente.
Mas a Serra da Bocaina encanta. E conquista adeptos. Se você é aficionado por trilhas que desembocam sobre panoramas de tirar o fôlego, então esse destino é talhado sob medida. Cachoeiras não faltam na paisagem e de qualquer lugar que você saia, sempre vai encontrar um cenário bucólico e intocado.

Passarinhos coloridos ornamentam a paisagem.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Backstage Boutique Spa Hotel, Zermatt, Suíça


Verão em Zermatt garante um céu imaculado e a vista impecável do Matterhorn, a montanha mais conhecida dos Alpes.

Na hora de preparar a sua mala para o verão europeu, não se esqueça de acrescentar  gorro, cachecol, luvas, meias, anorak  e todos os apetrechos de esqui. Esqui?! Mas não é verãozaço no hemisfério norte ? E´, sim, mas e se der na telha de querer dar uma esquiadinha para desenferrujar? Nenhum problema:  leve a sua indumentária básica até Zermatt, a sofisticada estação  suíça localizada na fronteira do cantão do Valais com a Itália e a pouco mais de 3 hs de carro desde o aeroporto de Genebra.





Este famoso  vilarejo  ao pé do Cervin - a montanha mais fotografada do mundo - é emoldurado por picos de até 4000 metros, garantindo neve eterna e a prática de esportes de inverno 365 dias por ano.  E´ a zona esquiável mais desenvolvida dos Alpes, onde as temperaturas apenas se acomodam à mudança das estações.


O toque de romantismo fica por conta das charretes.

O que não significa que não possa cair uma nevasca em pleno mês de agosto lá no glaciar Théodule, onde mais de 20 quilômetros de pistas recebem os esquiadores e também acomodam  várias equipes profissionais que vem treinar durante os meses mais quentes.  Inúmeros ski lifts e bondinhos funcionam regularmente, e a maioria dos restaurantes e refúgios de altitude fica aberta durante o dia para acolher os esportistas que querem aproveitar o sol da montanha para almoçar, ou relaxar nas espreguiçadeiras, bebericando um bom vin chaud  - bebida quente condimentada com especiarias,  altamente revigorante após algumas descidas. Embora o terreno disponível para esquiar no verão não se compare com as dimensões durante o inverno, a  maioria das pistas  é apropriada para esquiadores de nível  intermediário.

Lounge do Backstage hotel, com vista para o vilarejo e as montanhas.

Banheira na suíte superior com vista para o Cervin


 Que podem se deliciar com a icônica vista do Cervin, bem diante dos seus bastões.  Em tempo:  é preciso cautela para esquiar encima de um glaciar a 3900 metros de altitude, pois existe sempre o risco de cair nas traiçoeiras crevasses,  fendas profundas que se abrem na neve sem aviso prévio.

Somente os carros elétricos são autorizados no vilarejo, e o movimento dos pedestres fica mais calmo de manhã.



 No fim da jornada, é reconfortante voltar ao vilarejo para curtir os prazeres mundanos que Zermatt oferece: boa gastronomia, shopping de primeira com todas as marcas internacionais nas vitrines da rua principal do centrinho e uma atmosfera única com muita diversão noturna nas boates. Quanto a hospedagem, a estação não carece de cinco estrelas renomados e muitos outros estabelecimentos ultra confortáveis, mas  quem busca um diferencial com chamego  deve tentar  ficar num dos  6 cube-lofts  do ousado projeto arquitetônico de Zermatt - o Backstage Boutique Spa Hotel , um conceito que leva a grife do respeitado  arquiteto-artista plástico local Heinz Julen, responsável pelo desenvolvimento gradual de um complexo cultural  conhecido como Vernissage. O mesmo espaço abrange o novo hotel boutique, galeria, café, restaurante e , porque não? um cinema, com filmes que passam durante o jantar ( mas só durante o inverno, no verão você desce até a sala de cinema e fica sentado em poltronas bebericando um drinque enquanto assiste a um filme) , para a grande satisfação dos cinéfilos-esportistas dublê de gourmet, que conseguem juntar dois prazeres  num mesmo momento.

Confesso que foi mero acaso (ou sorte) que me trouxe pra esse boutique hotel. Já tinha tentado fazer reservas em várias ocasiões, inverno, outono, primavera ou verão, e nunca conseguia vaga. Então qual foi a minha surpresa quando numa quarta-feira de agosto cliquei no aplicativo booking.com e consegui um "último" quarto no hotel. E, por incrível que pareça, estava a menos de duas horas de distancia. Então posso dizer que me senti vitoriosa...E não me decepcionei, pois o hotel é muito gracioso, a decoração arrojada, moderna, e bem confortável. Ainda me deram um upgrade aí eu tinha uma varandinha charmosa com a vista esplendorosa do Cervin - ou Matternhorn, como alguns preferem conhecer esse pico tão famoso.






Os esportes são muito variados durante os meses de verão.



domingo, 9 de julho de 2017

TuAkAzA, Maison d´Hôtes, Rio de Janeiro, Brasil



Um pequeno oásis em meio à Mata Atlântica de onde se desvenda um cenário indevassável.
Prainha, sempre um cantinho sossegado.

O jovem empresário Matteo Chagas Freitas resolveu transformar a magnífica residencia da família nas Canoas em uma “casa de hóspedes” de apenas 5 suítes, afim de propiciar a outros poucos privilegiados a oportunidade de desfrutar não apenas de uma paisagem deslumbrante, mas também de um cantinho abençoado em pleno Rio de Janeiro. A casa, que leva a respeitada assinatura de Zanine, tem uma estrutura toda baseada em material de demolição, dormentes e madeira aparente. Muitos dos cômodos são em desníveis , e esta divisão cria privacidade além de  tornar cada cantinho especial. Uma cachoeira natural gerou duas piscinas harmonizadas com o cenário indevassável da praia de São Conrado, o Morro Dois Irmãos e a Mata Atlântica. Além disso, os hóspedes podem relaxar sentados nas mesinhas do bar que se estende para um terraço. As suítes merecem uma menção honrada: espaçosas – pelo menos 40 metros quadrados – ventiladas, ar condicionado, cheias de armários, varanda com vista, camas maleáveis com controle elétrico, amplos banheiros com hidro e confortáveis sofás diante de LCD´s. Para quem gosta de ser rodeado pela natureza, este guesthouse é o endereço perfeito para se jogar as amarras.

Praia da Barra da Tijuca
Que o bairro de São Conrado é uma passagem, todo mundo está de acordo. Mas, passagem que agora conta com menos trânsito graças ao metrô. Assim sendo, você se hospedando na Maison d´Hôtes  é estratégico, pois já está a salvo dos congestionamentos que desembocam da Zona Sul . Também você só está a  poucos quilômetros das (únicas)praias limpas do Rio, que são justamente as praias da Barra, Macumba, Prainha e Grumari. Durante a semana, elas ficam praticamente vazias , principalmente no inverno. E, como vivemos num eterno clima tropical , isso garante um sol causticante e céu azul, e permite curtir o dia jiboiando na areia.

Praia da Macumba

chegar na Prainha é sempre um prazer
A Barra da Tijuca e a longa praia
 Só a "viagem" até a Macumba e Prainha valem pela paisagem e o cenário lírico que se desprende da mata virgem  nesta região preservada. A infra estrutura da Barra e do Recreio dos Bandeirantes também oferece inúmeros barzinhos e restaurantes, além das barracas de praia que hoje em dia se transformaram numa excelente opção para almoçar e até jantar al fresco sem deixar a sua conta corrente no vermelho.

A vista da pousada é de tirar o fôlego.

sábado, 1 de julho de 2017

Llao Llao Hotel & Resort, San Carlos de Bariloche, Argentina


Um espetáculo original, para qualquer idade, o Mil Millas se realiza anualmente em San Carlos de Bariloche em novembro

                                                  
Apesar da chuva que caía sem cessar no final daquela tarde de sábado, uma pequena e animada multidão se aglomerava na frente do imponente hotel Llao Llao, em Bariloche. O clima era de festa: encerrava-se a l ´Aventura V, um rallye de carros antigos que  realiza  um circuito nestas latitudes patagônicas. Sempre na segunda semana de novembro ( 8-12 em 2017), este evento de âmbito internacional, mais alardeado como o Mil Millas Sport ou Mille Miglia ( numa clonagem proposital à tradicional prova que acontece anualmente no mês de maio na Itália) reúne participantes de vários países – inclusive do Brasil- que vêm disputar a competição munidos de suas maravilhosas máquinas antigas. Lépidas e faiscantes, surgem e ressurgem a cada ano relíquias fantásticas, desde uma Studebaker “Baquet” , de 1921, a uma Ferrari 365 GTB 4 de 1969, passando por vários modelos de Jaguar, Mercedes, Morgan, Alfa Romeo, Austin Healey e até de marcas pouco conhecidas como Lea Francis ou Institec.


O mítico Llao Llao, membro da cadeia Leading Hotels of the World e cartão postal de Bariloche
São cerca de 250 automóveis antigos, fabricados no início do século até o final da década de 60, que compartilham o imenso estacionamento do Llao Llao durante os cinco dias em que dura a prova. Emoldurados pelas águas esmeraldas do Lago Moreno e uma cordilheira de montanhas com picos nevados, estes tesouros sobre rodas formam um cenário cinematográfico.


Paisagem fantástica ornamenta a prova 




Para os espectadores, a impressão é que o tempo voltou atrás: não apenas os carros são relíquias do passado como os protagonistas – na maioria os orgulhosos proprietários dublês de piloto – que fazem questão de vestir-se a caráter, com a devida indumentária típica de meados do século. Não é raro cruzar com uma equipe trajando aqueles óculos de aviador, luvas, boné com tapa orelhas além de longas capas de couro. Além do Studebaker Baquet 1921 e outro de 1924, havia um Vauxhall  20/60 de 1926, um Bentley 4 ½ de 1928 e outro 1929.  



E os participantes são divididos em categorias. Há marcas históricas como a Alfa Romeo e Mercedes Benz, dois gigantes que venciam continuamente o circuito original do Mille Miglie Storica de Brescia até o início da Segunda Guerra Mundial.  Depois de 1957, a liderança passou a ser dividida com a Jaguar, a Ferrari e a Maserati. A prova ainda contou com outros tesouros sobre rodas, como  MG, Morgan, Singer, SS, Sunbeam, Torino, Delage, Cobra, BMW, Aston Martin, Volvo, Lea y Francis, Triumph e Bentley. 

 
Embora o ambiente do L’Avventura em Bariloche sempre tende a ser muito mais descontraído do que competitivo, o regulamento do rallye é bastante severo e a rotina é puxada. São 1.600 quilômetros a serem percorridos em três dias, ou seja, mais de 500 quilômetros por dia em terrenos variados.




 Considerando a fragilidade da maioria dos veículos, isto exige cautela - e destreza -  da parte dos pilotos. A jornada começa pontualmente às 7:30 da manhã e termina em torno das 18:30. São quase doze horas de duração, cumprindo um trecho diferente a cada dia.  Pelo caminho, os pilotos se submetem a vários check points. Conta pontos a regularidade muito mais do que a velocidade. Durante as três etapas, o ponto de partida e de chegada é invariavelmente o hotel Llao Llao e o itinerário abrange El Bolsón, El Hoyo e Esquiel; San Carlos de Bariloche, San Martin de Los Andes, Confluencia, Villa Traful, Villa La Angostura, Paso Cardenal Samoré e ainda incluiu um almoço em Termas de Puyhehue, no lado chileno.