sexta-feira, 18 de março de 2016

Mandarin Oriental, Miami, USA



Vitrine do Christian Louboutin  no Design District de Miami


Em Miami, as ruas N.E 39th, N.E.40th e N.E. 41th  são consideradas pelos antenados como um  mundo à parte. Ali, ninguém vai se deparar com edifícios altos ou qualquer outro prédio que arranhe o céu (quase eternamente) azul de uma das cidades mais visitadas dos Estados Unidos.

 Apenas casinhas pequenas, lofts, construções de um ou dois pavimentos, calçadas arborizadas com coqueiros e muitas, muitas lojas de decoração e design de interiores contemporâneos e tradicionais, antiquários, galerias de arte, showrooms e amplos espaços exibindo móveis, modernos ou antigos. E várias butiques fashion.  E´ o conhecido Design District (www.miamidesigndistrict.net) , um bairro com apenas 18 blocks ao norte de Midtown, e localizado a poucos minutos da maioria das streets mais descoladas, mas a atmosfera é completamente diferente. Só para se ter uma idéia, dá até para ouvir canto de passarinhos quando se perambula por ali na parte da manhã, uma hora em que o movimento dos carros é imperceptível e tem pouquíssimos pedestres.
Mimos na suíte do Mandarin

Pra ficar pertinho do bairro de design, se hospede no Mandarin Oriental de Miami, porque de lá é só pegar um táxi na porta do hotel e em menos de 10 minutos descer na altura da NE 39th com a 2nd. Mas, antes de se aventurar na rua , deixando pra trás uma suíte deliciosa, não se esqueça de tomar um divino café da manhã na sua varanda que se debruça sobre o mar e o skyline de Miami. 

vistaço sobre Miami e o mar
Magnífico lobby do Mandarin, com vista para o mar e a cidade

 Explorar o Miami District Design é uma jornada que une o prazer de se conectar a um lugar com a emoção de descobrir um objeto fascinante, uma peça de arte rara ou algo exótico – que até dá para se levar na mala. No entanto, para quem quer absorver a essência do bairro, vale começar o itinerário cedo, quando são grandes as chances de encontrar o Design District no seu mais puro estado clean, livre de turistas e principalmente de movimento de carros nas ruas. Poderia até acrescentar que o bairro é tão silencioso que se confunde com um hub residencial....




O segredo é caminhar em zigue-zague, lentamente, mirando ( e admirando)  cada vitrine, cada loja, anotando mentalmente quais seriam os objetos de uma possível wish list.  Imagine exuberantes luminárias, sofás de linhas arrojadas, lençóis de padrões divinos na Kenzo Maison, ( 180 , N.E 39th Street com a N.E 1st Avenue)  além de enfeites múltiplos para sua sala na Fendi Casa ( 180 N.E 39th Street). Essas são apenas duas entre muitas outras, espalhadas na 40th até finalizar na 41th.



Muitos lojistas extrapolam as fronteiras de suas vitrines e expõem suas mercadorias e objetos de arte na própria rua. Imagine uma loja de decoração de interior que deixa duas espreguiçadeiras coloridas na calçada, a céu aberto... Mas, não pense que é para usufruto dos pedestres, não! A meta é realçar o espírito decorativo em cada pedacinho deste requintado district.


No requintado salão  Shampology Salon ( 180, N.E. 39th Street, suíte 216 ; tel. 00xx1 305 576 1530 www.shampologysalon.com)  ,  há quem jure que sob o pincel e a tesoura do famoso hair designer Danny Dillon, floresceu o melhor cabeleireiro de Miami - tanto para tintura como para corte. Se tiver tempo sobrando, vale conferir.



Embora o Design District seja um templo de consumo, dá para passar horas se deliciando com tudo sem gastar um tostão, fazendo apenas o que os franceses rotulam de “lèche-vitrines” – traduzindo ao pé da letra, lamber vitrines. Ou seja, reduto perfeito para aqueles dias em que a gente está de “comprador” fechado, mas ao mesmo tempo não resiste à tentação de entrar em várias lojas.



Se o seu fraco for como o da senhora Imelda, rume um pouco mais adiante para se deparar com o exotismo dos sapatos criados por Christian Louboutin (155 N.E. 40thStreet). Começando pela própria vitrine chamativa e exuberante até o último salto. Ali, gosto à parte, sempre haverá um sapatinho para cada pé.


E se calhar de se embrenhar em uma das lojas de acessórios para casa como a italiana Oggetti Designs  (74 N.E 40thStreet) , pode estar certa que não vai dar para resistir em manipular cada objeto, quem sabe até cogitar em adquirir uma linda caixinha de jóias masculina,  em penshell  e made nas Filipinas, quem sabe uma idéia para presentear a sua cara-metade.


 E se a fome apertar mais do que o aperto no coração diante da impossibilidade de levar para casa qualquer uma das tentações, então vá comer uma legítima pizza italiana no Mai Tardi ( 163 N.E. Street), aproveitando para sentar-se confortavelmente debaixo de um ombrellone, num dos ambientes montados com sofás e poltronas de vime. E, a partir de então, engrenar em uma nova atividade enquanto se degusta um autêntico gnocchi bolognese: brincar de people-watching.

 
Almoçar ou jantar al fresco vendo o movimento nas ruas




quarta-feira, 16 de março de 2016

Hotel Splendido, Portofino, Itália


 
Portofino, um porto de fino trato


 Antigo vilarejo de pescadores, com pouco mais de 600 habitantes, Portofino se transformou ao longo das últimas três décadas num refúgio de milionários e personalidades do jet set internacional. Localizado a pouco mais de 32 quilômetros da agitada cidade de Gênova, este charmoso porto fica no ponto extremo de uma península situada na Riviera del Levante, na costa da Ligúria. 

Emoldurado pelo cenário idílico de pinheiros, ciprestes e oliveiras, Portofino é cravejado em toda a sua volta por prédios baixos, estreitos e coloridos, construídos tão lado a lado que fica difícil distinguir a qual pertence cada janela. Na hora do pôr-do-sol, os raios caem sobre a pequena marina, banhando com uma luz dourada os barcos ancorados neste charmoso porto em formato de ferradura. Todo o ambiente parece um quadro idealizado por um dos grandes mestres da pintura italiana.


Uma parte desta península, que deve o seu nome ao porto que hoje é um resort de fama internacional, foi definida como Parco Naturale ( Parque Nacional) afim de preservar a fauna e flora existentes nas belas florestas e bosques que circundam os arredores. Portofino, com as suas minúsculas dimensões, é um microcosmo de toda a magnificência que uma cidade grande é capaz de transplantar para a beira do mar. Este antigo vilarejo de pescadores, com pouco mais de 600 habitantes com residência fixa, se transformou ao longo das últimas três décadas num refúgio de milionários e personalidades do jet set , que disputam em cifrões de dólares qualquer metro quadrado disponível. Tudo em volta tem glamour e é justamente esta a atmosfera que Portofino deixa transparecer logo que o visitante chega. 
Os turistas passam muito tempo relaxando nos terraços dos cafés, olhando o vai-e-vem

a piazza principal de Portofino

  Uma volta a pé pelo porto, de onde os carros foram banidos, pode demorar uma tarde inteira.  Depende da intenção : para fazer compras, há dezenas de butiques de luxo que ostentam em seus letreiros as griffes mais caras do mundo; também dá para se sentar de bar em bar e ficar observando durante horas a fio o movimento incessante mediante um simples capuccino ou uma birra ( cerveja). Assim como os caffès, vários restaurantes costumam espalhar suas mesas na beira do cais, avançando sobre a calçada de paralelepípedos da única piazza. 

Em determinados momentos , a praça de Portofino pode ficar totalmente deserta – por exemplo, depois do almoço, quando o hábito milenar da siesta faz todo mundo tirar uma soneca de quase três horas. Sendo assim, o comércio fecha as suas portas em torno de uma da tarde e só reabre depois das quatro e meia. Um detalhe curioso, quase um paradoxo, é que o mesmo ocorre à noite. E caso alguém estiver buscando uma programação noturna, até mesmo um cinema, vai ter que ir até uma das cidades vizinhas, pois os ricos e famosos se recolhem ( aos seus iates ou suítes de hotéis estrelados) logo após o lauto jantar.

 De manhã cedo, também não se deve ter nenhuma expectativa de ver a piazza cheia de gente : Portofino não acorda antes das dez, e  apenas o sino da igreja perturba o silencio do porto, batendo de hora em hora, de meia em meia, anunciando o avanço do dia.

Mas, se o objetivo é conhecer rapidamente a cidade, uma simples volta deixa a melhor das impressões e ainda sobra tempo para explorar a redondeza, ir até a igreja de San Giorgio e em seguida subir ao Castello, de cujo terraço se tem uma vista panorâmica fabulosa sobre um Portofino em miniatura, a baía e toda a costa. 
Vista do terraço da piscina do Hotel Splendido sobre o porto e os barcos

Curiosamente, ao mesmo tempo em que Portofino exerce um forte magnetismo sobre o visitante que desembarca pela primeira vez no cais, logo ele acaba se tornando enfadonho. A razão é que após ter percorrido tudo, ele se dá conta que as pessoas estão sempre fazendo a mesma coisa. Sendo assim, são poucos os que decidem  pernoitar por lá. Mas, em questão de luxo, o Hotel Splendido  é imbatível, faz  jus ao nome e às estrelas que estampa. Situado no alto do morro, tem uma vista panorâmica e indevassável sobre parte do Golfo de Rapallo e Portofino. Até massagista no quarto você consegue agendar!! A comida é divina, o ambiente chiquérrimo, e nada como ir tomar um drinque na beira da piscina que se debruça sobre a paisagem - parece um cenário e o parque que emoldura o hotel é cinematográfico. 
Encravado no meio da mata, com vista sobre o mar, o Spendido faz jus ao nome

Tudo bem que é preciso descer uma escadaria para chegar ao portinho de Portofino. Não leva mais de cinco minutinhos, mas, é claro, uma das mordomias do hotel é colocar uma van à disposição para levar e trazer os hóspedes gratuitamente a cada vinte minutos. 



Em Portofino, uma das características arquitetônicas que mais chama a atenção é o conhecido trompe l’oeil, que, traduzindo literalmente, significa “engana olho”. E’ uma forma de mascarar uma fachada com uma pintura que retrata uma janela ou uma balaustrada. Hábito muito difundido em toda a região da Liguria, a idéia era economizar o material.  

Os prédios em cores vivas tinham a intenção de ajudar os pescadores que ainda mar adentro, podiam distinguir de longe as suas moradias. Por comodidade, construíam prédios colados uns aos outros, com janelas quase se tocando:  não era preciso descer para falar com os vizinhos mais próximos, podiam inclusive pedir assistência, um pouco de açúcar emprestado ou simplesmente ficar de papo. Estes certamente são costumes que persistem nos dias de hoje, assim como os varais nas janelas, nos quais as roupas ficam penduradas, secando ao vento–  por sua vez, de tão pitorescas e coloridas, até elas merecem ser retratadas numa tela.



segunda-feira, 14 de março de 2016

Pousada Mangabeiras, Ilha de Boipeba, Bahia

Boipeba ainda é selvagem e fora do alcance dos holofotes

Boipeba não fica na esquina. Lá não chega nada “direto”, e é preciso determinação para alcançar este povoado feérico onde a presença de qualquer veículo motorizado sempre foi banida.







Mas vá.  Vá para contemplar o mar, ler, namorar, desligar da civilização, caminhar, tomar água de côco, decorar a tábua das marés e comer lagosta.


Na vila vivem pouco mais de 3 mil pessoas, espalhadas em casinhas de pescadores coloridas e cercados por um lado pela barra de um rio que atende pelo nome de Inferno - vai saber porque ! -  e por outro pelas águas pacíficas do mar aberto, cuja tonalidade se modifica conforme os caprichos da maré oscilante.


Room with a view da pousada Mangabeiras


Burricos e mulas, puxando carroças, se deslocam com naturalidade pelas ruas, a maioria de areia. Carro, só mesmo os carrinhos de mão – que servem inclusive pra levar a sua bagagem para as pousadas rústicas que se alinham na beira da praia de Tassimirim, cuja dimensão varia igualmente de acordo com a ganância das ondas.





Mas, ao chegar ao seu reduto final, a pousada Mangabeiras, membro da conceituada cadeia Roteiros de Charme, você vai  ter aquela divina sensação de estar pairando sobre a ilha, livre, leve e solto, como se estivesse num ninho de passarinhos.
Pousada Mangabeiras no alto da colina, soberana e com vista indevassável

Lá de cima se desvenda uma vista de 360º sobre praias, coqueirais e um mar infinito. E o privilégio de vislumbrar essa magnífica paisagem pode ser da varanda do seu quarto, da janela de seu banheiro e até mesmo de dentro da jacuzzi, caso optar pela suíte master. Porque cada um dos 9 chalés, espalhados discretamente sobre um belo platô ajardinado, se debruça sobre os cenários naturais de Boipeba. 

Vistaço da piscina da pousada sobre o mar e a vegetação


Depois, é só sombra e água de côco...ou quase, porque é óbvio que você vai colocar os pés na areia e descobrir aos poucos os encantos desta minúscula ilha, tão atrelada  aos costumes antigos que muitos vestígios da civilização deixaram de se infiltrar – e vai se acostumando ao sinal precário de celular, nada de jornal diário e nenhum jet ski ou quadriciclo para alugar. E, fora uma jardineira puxada a trator, cumprindo o papel de único transporte público terrestre entre a idílica vila de Morerê e Boipeba, só tem um  jeito : você gasta mesmo é a sola dos pés ou das suas havaianas.



O dia em Boipeba sempre começa cedo, e depois de um café da manhã pantagruélico, é preciso sacudir a preguiça (algo extremamente contagiante, na Bahia) para não passar o dia aboletado na rede ou lagartixando ao sol nas espreguiçadeiras da piscina.


Não desvendou a beleza da ilha quem não enfrenta a caminhada até a bucólica praia de Morerê ( o que exige até uma travessia de rio com água pelo joelho), onde na maré baixa se forma uma piscina natural gigantesca com águas límpidas e temperatura digna de uma jacuzzi. Ideal para quem curte ficar de molho. E se quiser tomar uma caipirinha ou beliscar um aipim frito, basta sentar no restaurante Paraíso, na beira da areia.

Se a fome apertar, peça a D. Angélica, a simpática dona do local, para preparar a sua moqueca de polvo com banana da terra, uma iguaria sem precedentes. Mas, é na paradisíaca praia de Coeira que se trava conhecimento com um personagem digno de Jorge Amado – o Guido, dono de um restaurante que leva o seu nome.

 Muito orgulhoso por figurar em vários títulos de revistas nacionais e internacionais como sendo o mentor  das mais saborosas lagostas de toda a região, este simpático e falante cidadão, boipebano autêntico, cativa a sua clientela com algo mais do que suas receitas caseiras. Assim como o própria ilha de Boipeba, para quem enxerga além do ritmo pacato da maré.


sábado, 12 de março de 2016

Orixás Art Hotel, Flecheiras, Ceará, Brasil

 
Por-do-sol em Flexeiras, um espetáculo compartilhado com a sombra das jangadas



Jangadas a rodo, onde a vista alcança

Dizem que um dia elas vão desaparecer, mas é difícil acreditar: as jangadas que adornam todo o litoral cearense são o cartão postal mais clicado do estado. Sem a presença delas, alinhadas lado a lado nas largas faixas de areia, as praias de lá ficariam parecidas com muitas outras praias brasileiras. E até porque qualquer pescador nativo que se preze continua a utilizar estas embarcações rudimentares como o seu meio de sustento. 


A pesca artesanal faz parte da tradição - uma herança irrefutável, que vem lá do passado.
De manhãzinha, as primeiras rajadas de vento forte começam a trazer de volta as jangadas que retornam de suas longas jornadas com isopores abarrotados de beijupirás, camurupins,  guaiúbas e, muitas vezes, lagostas –  a iguaria mais reputada ( e disputada) das redes de pesca do Ceará. 

Todos os demais pescadores, sempre à espreita mesmo quando estão em terra firme, correm para ajudar a retirar a pequena embarcação de dentro d´água para empurrá-la até uma altura onde a maré alta não pode alcançá-la. 

Esta ajuda é um ritual de reciprocidade, que vai acontecendo ao longo do dia, todos os dias, faça sol ou chuva. Chuva? Bem, pelo menos em Flecheiras, minúscula vila situada a apenas 140 quilômetros de Fortaleza, é comum cair uma tromba d´água durante a noite. Mas, mas no dia seguinte, pode ter certeza que o céu vai se revelar de um azul índigo e o sol estalando de quente.


 O desafio vai ser sacudir a inércia e tonificar as pernas em longas caminhadas na beirinha do mar, e se refrescar de tempo em tempo. Aliás, o mar é tão convidativo que dá vontade de ficar em banho-maria na água morna das piscinas naturais, formadas na maré baixa. 


Longas caminhadas na areia é o programa ideal

E, como se isso não bastasse para acabar de vez com a vontade de voltar para a civilização moderna, de quebra tem um pôr-do-sol monumental para mexer todas as tardes com as suas emoções. Ainda mais que da maioria das suítes do Orixás Art Hotel, um eco-sofisticado projeto arquitetônico enraizado de frente para o mar, os hóspedes podem admirar este espetáculo na maior privacidade, sem mesmo se dar ao trabalho de sair de dentro de sua piscina particular. 
uma das enormes suítes do Orixás

piscina do hotel e jardim florido com espreguiçadeiras convidativas

  Filiado à cadeia Roteiros de Charme, esta pousada conta com apenas 20 acomodações de imensas proporções – algumas chegam a ter mais de 230 metros quadrados! - extremamente confortáveis e todas com sua própria piscina. Além disso, o Orixás cativa a sua clientela pelas mordomias, ambiente acolhedor e  pelo atendimento dedicado de cada membro de sua equipe.


 Do restaurante onde sentamos para tomar o café da manhã ( um bufê divino, com direito a tapioquinha e todo estilo de ovos  preparados diante dos seus olhos) também se almoça e janta ao ritmo do vai-e-vem dos pescadores e das jangadas deslizando para cima e para baixo, parte integrante e inseparável deste cenário vertiginoso sobre o mar azul de fundo infinito.  


Vá, nem que seja  para aprender a identificar os peixes na rede dos pescadores, tomar caipirinha de cajú, caprichar no sotaque arrastado, passar horas cochilando na rede de sua suíte de 230 metros quadrados.

Pé -na-areia, o Orixás é uma pousada de alto luxo e aconchegante