segunda-feira, 20 de março de 2017

Na rede, al fresco, Poconé, Mato Grosso


Cara de amigo ou não? Melhor não colocar nada ao alcance de sua mão...
Olhar xpto... 

Animais silvestres, como os coatis, jacarés, veados e tamanduás não costumam surgir na sua frente com facilidade. Muito menos numa rodovia. Porém, ao longo dos 196 quilômetros da Transpantaneira, uma larga estrada de terra em linha reta, que começa em Poconé e termina às margens do rio Cuiabá, em Porto Jofre, no Mato Grosso, é possível se deparar com qualquer um destes bichos – e muitos outros -  atravessando a pista de um lado para o outro.


Entrada da Transpantaneira: uma surpresa a cada curva

 Além de observar estes cobiçados espécimes da fauna brasileira, na área da Transpantaneira é também possível praticar atividades ecoturisticas de baixo impacto ambiental, como longos passeios a cavalo, pesca esportiva, passeios de bicicleta off-road, canoagem e, claro, o tradicional bird-watching. E como se não bastasse, outro indescritível espetáculo da natureza é o sol poente que, no formato de uma enorme bola laranja, ilustra mais um cartão postal deste Patrimônio da Humanidade.

Mas, é fundamental se acostumar com a rotina do Pantanal, que começa antes das 6 horas da manhã, pois bicho não tem essa coisa de dormir até tarde. O objetivo é contemplar o máximo de animais quando estão buscando o que comer e ver como se comportam. E é apenas nestas poucas horas matinais que conseguimos captá-los fora de suas tocas e ninhos. Depois o sol é tão forte que todos se recolhem novamente ao seu habitat, enquanto vocês, turistas (convencionais) felizardos, merecem se estirar na beira da piscina, com direito à sombra e água fresca.

Fofos, este micos. Mas, evite se aproximar, pois podem se tornar agressivos.

 Ou, melhor ainda, saboreando uma deliciosa caipirinha. À tardinha, recomeça a programação. Os mais esportivos podem optar por longas pedaladas pela estrada, ou fazer um passeio de canoa canadense em determinados trechos do rio, onde se abrigam muitas espécies de animais e aves sob os aguapés.
Até agora, está tudo dentro dos parâmetros do turista padrão, que aproveita a natureza ao seu redor sem arriscar nada e se hospeda na pousada como gente grande. Mas, quem não arrisca não petisca o melhor do Pantanal.



Vamos falar então das cavalgadas, que levam os turistas através de extensos descampados, que ficam alagados na época da cheia - tome nota, a partir de julho, já é época da seca.  Sem problemas, pois o cavalo da raça pantaneira é totalmente adaptado ao meio ambiente. Passear por algumas horas é agradável, no entanto estas aventuras podem ser estendidas por um ou dois dias, dependendo do roteiro escolhido. Resolvi arriscar uma noite al fresco, com a promessa de que seria um programa imperdível, único e inesquecível. Deveras.


O cavalo pantaneiro, tranquilo e dócil, acostumado com o terreno nem sempre transitável.

Mas, dormir no meio da natureza pode apetecer apenas às pessoas que não se incomodam com, digamos, a possibilidade de se deparar com um animal silvestre. Se for um coati, ainda passa. Um veadinho, mais bonitinho ainda. Um tamanduá é simpático. Uma onça já vai mudar o cenário, mas, convenhamos, é muuuuuuuuuito raro isto acontecer. Tem peão que admite nunca ter visto uma em décadas de peregrinações mata adentro. Então, isto não me deixou nervosa. Uma cobra atravessar o caminho, isso sim, dá calafrios.


Noite adentro, então, seria um pesadelo. Ainda mais que você dorme em redes. E redes até nada sofisticadas, tanto que na ocasião uma delas rasgou e o infortunado dorminhoco teve que se arranjar de improviso - acabou deitando encima de uma mesa comprida, alimentando a fogueira de hora em hora, afim de evitar que qualquer coisa se aproximasse do acampamento.


Juntando a tropa de manhãzinha

O cenário selvagem vale este programa. Casais de araras sobrevoando os descampados no final da tarde, os sobressaltos eventuais - você nunca sabe qual é o bicho que vai aparecer na sua frente... Macacos me mordam, mas é um sem-fim de bugios ( nem sempre com cara de muitos amigos...), a mata emite uns sons assustadores que nem sempre são identificáveis aos ouvidos de urbanoídes... O climax da chegada do grupo durante o lusco-fusco no acampamento improvisado, apear do cavalo após cinco horas na sela - isso  traz uma sensação indescritível de realização ( e alívio). E todo o espírito aventureiro sobressai, você ajuda a montar as redes no redário, abastecer a fogueira, depois é só sentar em volta do fogo e esperar que saia o churrasco. Isso mesmo, churrasco, cerveja gelada, quem diria!  Que você, faminto, vai degustar como se estivesse no melhor restaurante do mundo. E não é?

Bate papo de comadres e compadres

sexta-feira, 17 de março de 2017

The Mercer Hotel, New York, USA




Assim que me acomodei no banco traseiro do táxi amarelo em Newark, fui logo dizendo num sopro só : “Vamos para o SoHo, no hotel Mercer, que fica na Mercer Street, só não sei exatamente onde.” O motorista caribenho virou a cabeça para trás, me encarou e soltou uma cínica gargalhada ao receber um endereço tão mal esmiuçado. Imediatamente, tive aquele sentimento de tupiniquim. Mais ou menos como  você chegar no aeroporto internacional do Rio de Janeiro e pedir para ser levado ao hotel Astoria, na Avenida Conde de Bomfim, no bairro da Tijuca.


Esta comparação é um exagero proposital, e certamente não procede: simplesmente porque o SoHo ( isso mesmo, com um H maiúsculo no meio da palavra, daí o nome que quer designar South of Houston St.) é mínimo, um conjunto de apenas 25 pequenas quadras localizado em downtown Manhattan, entre Tribeca, Little Italy e Greenwich Village - ou seja, um bairro retangular emoldurado por 2 avenidas principais - a Broadway e a West Broadway - 3 ruas paralelas - a Wooster, a Greene e a Mercer - e quatro transversais  - a Prince,  a Spring, a Broome e a Grand.  Digamos que, visualizando tudo graficamente, é um pouco maior do que um jogo da velha. Falando em metros quadrados, dá menos do que ¾ de milha de área. Resumindo, labirinto não é.

Mas não é nenhum exagero afirmar que os motoristas de táxi novaiorquinos têm um quê de sadismo e adoram torturar o pobre do turista que volta e meia se confunde com as direções east e west, é obrigado a sempre ter em mente qual é a avenida entrecortada pela rua e ainda por cima precisa citar as esquinas. O certo teria sido dizer:  “Quero ir para o Soho, na esquina da Mercer com a Prince.” Aí, sim, ele entenderia.

Em falta com a lição de casa, me preparei para o pior. Ainda mais que os principais responsáveis pelo nosso meio de locomoção em Nova Iorque não pecam por excesso de amabilidade. Qual não foi o alívio quando ele me dirigiu a palavra: “ A gente vai chegar lá,” concedeu. Realmente, chegamos. Mas não sem passar duas vezes na frente do hotel. Da primeira vez, ninguém se deu conta de que a fachada de tijolinho , sem insígnia alguma e nem vestígio de letreiro, nenhuma portaria convencional e sequer um porteiro (aparente) na calçada, era o The Mercer.

Soho: sem arranha-céus e vida de bairro relaxado, sem estresse.

Mas o que há de tão extraordinário neste mini-bairro, onde um apartamento de dois quartos num prédio velho com apenas cinco andares está cotado em milhões de dólares e consegue ser vendido num piscar de olhos ( a procura é tão grande que há clientes que compram sem mesmo ver !)? Modismo, supervalorização, especulação ou todos os fatores combinados ? Na realidade, o SoHo  começou a entrar na moda no início da década de 70, quando muitos artistas plásticos procuravam os lofts, aqueles antigos armazéns locais que, graças à sua amplidão, se prestam à mil utilidades. Aos poucos, foram montando os seus estúdios e trabalhando com novas técnicas que a cada vez exigiam espaços mais amplos. Por fim, a maioria acabava se instalando definitivamente por lá também para fugir do alto custo do aluguel de outros bairros. Do resultado de suas criações surgiram as primeiras galerias de arte avant-garde que hoje hasteiam as suas bandeiras na fachada. Aliás, tudo  é motivo para hastear uma bandeira no SoHo : em frente às butiques, livrarias, lojas de design, restaurantes, bares e cafés.

Mas antes mesmo do surgimento das primeiras galerias de arte, o SoHo sempre se destacou dos outros bairros de Nova Iorque devido aos seus famosos prédios “cast in iron” - em tradução literal, prédios engessados em ferro. Nada mais realista e verdadeiro, pois é no SoHo que encontramos a maior concentração do mundo deste tipo de arquitetura . O que significa este gênero de construção na qual a maioria dos prédios, postos lado a lado, tem um invólucro de ferro ? Para entender melhor o que foi este fenômeno americano, na verdade particularmente novaiorquino, é preciso voltar aos meados do século passado, quando as estruturas de ferro destes armazéns começaram a chegar no SoHo, sob a forma peças pré-fabricados num meio onde predominava um tipo de construção civil que ainda se curvava aos trabalhos feitos em alvenaria, mármore e calcário.


Estas estruturas, que basicamente eram uma réplica em ferro das residências nobres e dos palacetes europeus,  expressavam uma concepção arquitetônica peculiar : através da mais moderna técnica de marketing - a venda por catálogo - toda a glória do mundo passado, sob forma de moldes prontos-para-montar imitando as antigas construções, era ofertada a preços acessíveis aos comerciantes americanos. Sendo assim, ao invés de desmontar um palacete em outro continente e embarcá-lo para Nova Iorque pedra por pedra ( o que eventualmente aconteceu),  eles apenas escolhiam nos catálogos qual seria o design de sua preferência para usar como fachada. Ou seja, eram os tempos modernos que , de maneira prática barata e acessível, propiciavam ao comerciante o prazer de dar um visual de grandeza ao seu armazém, dando-lhe a aparência do autêntico palácio renascentista de um mercador florentino. Cada modelo chegava em suas mãos pronto para ser montado. E ainda tinha a vantagem de não pegar fogo, numa época em que os grandes incêndios constituíam uma ameaça para todas as cidades dos Estados Unidos. Como se sabe,  Nova Iorque teve a seu em 1835.

Spring St., vida de bairro em cada esquina

Já visualizou Manhattan sem arranha-céus ? Nenhum Mac Donald na esquina ( pelo menos eu não vi da última vez que fui lá) e pouquíssima sirene de polícia ?  Só mesmo indo ao SoHo  - e ficar perambulando por lá. Dia e noite. Ao contrário da uptown, onde o movimento matinal é intenso , reina a calmaria no SoHo até às onze da manhã. Ninguém transita a pé e, nas ruas estreitas,  praticamente desertas,  quase não passa carro. O dia em que acordei cedo para ir ao Central Park , foi preciso andar até a Houston para pegar um táxi. Até porque dificilmente eles transitam vazios pelas transversais, preferindo sempre margear o bairro pelas duas Broadways, que têm sentidos inversos.


Em compensação, a partir de uma da tarde, o SoHo vira um verdadeiro formigueiro, porque a cada hora que passa o bairro vai se enchendo de turistas, gente de toda sorte, raça e credo , vendedores ambulantes, ciclistas, artistas e simpatizantes. Aglutinados em frente aos sinais vermelhos, nas calçadas e nas lojas, você acaba esbarrando nas pessoas o tempo inteiro, acotovelando-se para atravessar as ruas, e enfrentando filas nos caixas do Dean & Deluca ( 560, Broadway), a Meca das delicatessen do SoHo. Uma dica : as suas portas abertas desde às 8 da manhã,  mas o lugar só fervilha em torno do meio-dia. Como a loja é uma visão gastro-decorativa em si, é aconselhável aproveitar o período cedo para visitá-la, admirá-la e eventualmente até saborear um café, olhando os transeuntes através da vidraça, passando para lá e para cá. Todo mundo anda animado, de um lado para outro, bisbilhotando em tudo quanto é canto. Lugar não falta para isso.  O SoHo é repleto de museus - nada menos do que oito, contando com o  Guggenheim Museum SoHo ( Prince com Broadway)- antiquários, sebos,  butiques de design, filiais de griffes famosas como Tristan in America, Armani Exchange, Dolce & Gabbana, Issey Myake, Calvin Klein e Nicole Miller. Acrescente a luxúria exótica dos produtos aromáticos , à venda na Lémon Grass, que confecciona sabonetes com grãos de café, raspas de coco ou arroz; lojas como a Vintage Clothes, onde se encontra de tudo um pouco em matéria de roupas e acessórios, novos e usados, mas tudo remanescente da moda ( e modismo) das últimas seis décadas.

Restaurantes, nem se fala. Para o comensal exigente, o SoHo é um prato feito, porque em ¾ de milha quadrado come-se bem como em poucos lugares do mundo. Uma vantagem : está tudo condensado nestes poucos quarteirões. A grande maioria dos estabelecimentos capricha na apresentação da fachada, com toldos coloridos e bandeiras, janelões ou vidraças que vão até o chão,  se abrem para a calçada e possibilitam a clientela a sentar-se em pequenas mesas como se estivessem numa vitrine ou num palco. O esporte favorito, na hora das refeições, é ficar olhando para a rua e admirando o movimento.

Adicionar legenda
O comércio fecha em torno das sete e abre aos domingos. Algumas lojas, no entanto, têm dias específicos para um late closing (fechamento tardio), quando permanecem abertas até às 9 ou 10 da noite. Mesmo terminado o horário das compras, o movimento de pedestres nas ruas continua. Ninguém parece ter pressa de voltar para casa.  Os restaurantes, que tinham se esvaziados após o almoço, vão ficando novamente repletos - está na hora do happy hour, que acontece ao pé da letra neste bairro, e em vários lugares ao mesmo tempo. De maneira convencional ou à la SoHo - tomando uma sopa de legumes sentado na calçada na frente do Fanelli’s, ou do outro lado da rua, bebericando uma taça de champagne francês no sofisticado bar do The Mercer, onde a cor preta e cinza escura predomina em todos os trajes masculinos e femininos. E’ o final do expediente, quando emergem aqueles novaiorquinos da uptown Manhattan que, ao largar o trabalho, vêm tomar um drinque no ambiente boêmio do SoHo antes do jantar. Passam de um café para  um bistrô, do bistrô para outro bar, até se estabelecerem definitivamente em algum restaurante para jantar. A partir de uma determinada hora, digamos em torno das 9 e meia, não sobra mais espaço em canto nenhum, até mesmo para ficar em pé. E, assim, as ruas vão se esvaziando lentamente...




Mesa no The Kitchen
O The Mercer é um estabelecimento que merece as suas estrelas, não apenas pelo serviço primoroso, como graças à decoração original. No lobby, imensos  e confortáveis sofás pretos são emoldurados por uma extensa biblioteca, dando ao ambiente um  aconchego inusitado para um hotel. E’ como se você estivesse na sala de visitas de um amigo. As pessoas, hóspedes ou não, costumam sentar-se para ler jornais, conversar ou tomar um café. Ali dentro transita o que há de gente bonita e bem vestida, gente que costuma aportar lá em torno das 6 da tarde, logo após o expediente. Tomam drinques no bar, batem um papo e esticam no The Kitchen, o restaurante do hotel, que se encontra no subsolo. 

 Embora com diárias salgadas, de longe o hotel é o mais bem localizado. Mas, o único defeito são os quartos virados para a Mercer St. ou a Prince St.,  pois de madrugada o barulho dos caminhões de recolhimento de lixo perturbam o sono. Mesmo deixando de ter a fachada do museu Guggeinheim como vista, peça para ficar num dos quartos virados para o courtyard ( pátio interno), bem silenciosos.
   

terça-feira, 14 de março de 2017

Duca D´Aosta Hotel, Aosta, Itália

Os telhados de Aosta tem personalidade e são muito pitorescos

Muito simpatiquinha, essa tal de Aosta, ou Aoste, se você se referir a ela pelo nome francês. E, apesar de estarmos na Itália, lá o pessoal fala as duas línguas. Surpreende, porque em geral os italianos não falam a língua de Molière.  Será a proximidade da Suíça ( basta atravessar o túnel St. Bernard e pronto!) que fica a menos de 200 quilômetros de distancia? Ou será por ser vizinha da França ?

Enfim, lá eles têm fondue com outro nome - fonduta - numa embalagem totalmente diferente e comem esta iguaria de modo personalizado...Ainda diferenciado do helvético. As placas de trânsito e indicações também são bilíngues. Os nomes de alguns vilarejos ao redor têm nome francês.






Mas, voltando à cidadezinha de Aosta, a localização é ideal, pois ela fica ao pé de montanhas nevadas onde se pratica esqui - tem um resort chamado Piva que é bastante atraente, segundo falam os locais. Menos badalado ( bem menos!) que seus concorrentes Courmayeur e Cervinia, não deixa de ser um destino cômodo se você dispõe de pouco tempo. (Ainda não experimentei esquiar naquelas bandas, fica pra próxima).
Vi muita gente de roupa de esqui saindo de manhã com toda aparência de que iam esquiar. Pela descrição do concierge, a montanha oferece boas pistas e a distancia entre o hotel e o bondinho é de 1 km. Ou seja, não fosse o perrengue de carregar os esquis nas costas por mil metros, daria pra ir a pé.


Aosta tem aquela praça típica das cidades italianas, de onde se alastram as ruazinhas pedestres estreitas ladeadas por butiques, restaurantes, lojinhas, lojas de grifes, artigos esportivos, artigos para casa, pasticerias, sorveterias, delicatessen...ah! as delicatessen italianas fazem você deixar qualquer  dieta nos clouds, porque  é impossível resistir às tentações...E, como não podia deixar de ser, tem também umas ruínas romanas, referência pra quem não quer se perder ( perder é meio impossível, mas digamos que você pode demorar mais um pouco pra se achar no labirinto de ruelas...)
E se for pra ficar sem rumo, dá uma paradinha estratégica em qualquer barzinho pra tomar um cappucino com panna  (o da foto com mini cone de sorvete...)
Gelatto à vista...quem resiste?

Atenção: esses sapatos são de chocolate!

Do gelato aos frios, dos biscoitos caseiros ao funghi porcini, dos vinhos regionais à grappa ( cuidado com essa daí, que você toma como água e depois sai cambaleando!) dos doces expostos nas vitrines, tudo tão perfeitamente apresentado e apetecedor. Mas, não deixe de entrar nas lojas de sapatos, que apesar de nem sempre baratos, são de uma qualidade inigualável. Afinal, são legítimos italianos...E se você não quiser derreter o cartão de crédito, pode comprar os de chocolate que saem mais em conta e o prejuízo é só mesmo o seu peso na balança!
Interior de uma pequena trattoria:simplicidade e comida excelente
Lounge do Duca D´Aosta

A muralha que cerca a cidade dá um toque de romantismo e  ornamenta a arquitetura que já antiga. E´ toque histórico que agrada e você fica ali, perambulando pelas ruas, entrando em cada negozio pra bisbilhotar...as pessoas são amáveis e o ambiente acolhedor. Dei sorte com o quatro estrelas, apesar de nada muito brilhante, a localização era mais do que perfeita, pois estava numa das ruelas transversais que dão diretamente na piazza principal, a dez passos da entrada do hotel. O Duca D´Aosta ganhou prêmio de melhor hotel de 2015. Os quartos são bons, não muito grandes, cama confortável, banheiro prático e tá tudo estalando de limpo. Pra ficar uma ou duas noites tá muito bom e a localização não podia ser mais bem escolhida.

Guloseimas não faltam nas delicatessen espalhadas pelo centrinho de Aosta


sexta-feira, 10 de março de 2017

Hotel Puente Romano, Marbella, Espanha

Ronda: do alto da Puente Nueva você se debruça sobre um precipício e uma paisagem deslumbrante

Não vou falar só de Marbella aqui não. Só darei uma pincelada sobre este balneário como uma base aprazível de onde você se alavanca pra conhecer outros lugares andaluzes que se espalham na redondeza. Marbella, cercada de belas praias, é onde você se hospeda, em hotéis estrelados como o Puente Romano, um luxuoso estabelecimento de frente para o mar e que oferece muita privacidade. 


Puente Romano: terraço com vista para a praia


Basta dizer que esta cidade é famosa por entreter uma elite cinematográfica e ostentar marinas bilionárias, e como não podia deixar de ser, é inundado por turistas durante o verão, mas (anote no seu caderninho!)  transforma-se num oásis de tranqüilidade a partir do mês de setembro. E aí você pode curtir a parte antiga, os restaurantes não ficam abarrotados e dá pra passear a pé sem ter que dividir cada centímetro com um bando de gente.

Naquela faixa à beira-mar, aonde o metro quadrado chega a custar até 10 mil euros, o termômetro é condescendente durante os doze meses do ano. Tanto é que as butiques de luxo que se acotovelam no cais do Puerto Banús, uma passarela para quem quer ver e ser visto ao lado de uma das mais sofisticadas ancoragens para iates de luxo, não se constrangem em exibir nas suas vitrines modelitos apropriados para temperaturas bastante elevadas.E’ muito difícil escapar das multidões na costa do Sol, mas vou fazer uma forcinha ( e tentar não marcar a viagem pra julho ou agosto...). 

Luxuoso condomínio em Marbella, com marina particular

A cerca de 50 quilômetros de distancia de Marbella e a pouco mais de  700 metros de altitude, encontra-se uma misteriosa cidade que só se comunica com o resto do mundo através de uma sinuosa estrada que serpenteia por um parque natural através das montanhas. 

Uma estrada sinuosa leva você até um lugar mágico e  surpreendente: Ronda

Arraigada na borda de imponentes falésias em plena Serrania, encontramos Ronda, onde se encontra a praça de touros mais antiga da Península. Reza a lenda  que o dia em que foi inaugurada, um soldado a derrubou empurrando apenas uma coluna, tal qual Samsão derrubou o templo.  

A arena mais antiga da Península

A mais antiga arena da Espanha é o palco da famosa corrida Corrida Goyesca a cada setembro, quando o evento é realizado com trajes típicos de época, no estilo das pinturas de Goya. De fato, a arena de Ronda data de 1784 e é feita em madeira. Esta praça é a marca da tauromaquia moderna, pois foi lá que o toureiro Pedro Romero, o inventor do volapié ( a maneira de matar um animal parado e sem força), fixou as regras que estão em vigor até hoje. Só não dá para afirmar se o prato típico rabo de toro (rabada), servido com pompa em alguns restaurantes locais, como o Pedro Romero ( um dos estabelecimentos mais concorridos da cidade) foi invenção deste ilustre cidadão. Pessoalmente, só posso dizer que pra quem gosta desta iguaria, é lá mesmo que deve ser degustada. 
Em maio, as corridas de Ronda são famosas, mas é a Ciudad, com suas ruas solitárias e tortuosas delineando nobres construções seculares, que atrai um maior número de visitantes. Na parte antiga de Ronda, o antigo palácio restaurado Mondragón parece uma versão em miniatura dos magníficos jardins Reales Alcázares de Sevilha.
Muito agradável também é a temperatura que, mesmo nos meses mais quentes, fica aquém dos insuportáveis dígitos que derretem qualquer cristão 700 metros abaixo. Ainda mais quando o melhor programa é mesmo caminhar pelas ruelas, visitar igrejas e entrar na arena. Nem que seja pra fingir que gosta do esporte - não é pra quem tem coração mole...

A Puente Nueva atrai milhares de turistas que se debruçam sobre um precipício assustador e uma paisagem perturbadora de linda.
Mas os turistas gostam mesmo de ficar debruçados sobre um panorama de tirar o fôlego, não se cansam é de admirar, do alto da Puente Nueva,  o precipício intransponível que despenca 120 metros até o rio Guadalevin.  E quem acha que o cenário de Ronda já é impressionante, imagine visto por uma perspectiva totalmente diferente: de cima de um balão. Porque uma alternativa ( só para aqueles que apreciam emoções fortes) é um passeio pelo ar sobrevoando a região dos pueblos brancos. Claro que é preciso estar preparado para madrugar, mas a experiência vale a pena. E o vôo termina, é claro, com champagne na aterrissagem...


Ronda deveria estar incluída em qualquer visita à região.  Uma imensa fenda separa as duas Rondas – a Ciudad, também conhecida como a Moura, de ruas solitárias e tortuosas, entre construções nobres e seculares,  e El Mercadillo, cidade comerciante fundada por cristãos , de casas baixas ao longo de ruas bem delineadas.

terça-feira, 7 de março de 2017

Don Los Cerros Boutique Hotel & Spa, El Chaltén, Argentina

Passeio a cavalo por trilhas em El Chaltén, mais uma programação na capital do trekking.

Me lembro como se fosse hoje: era início de dezembro e portanto verão no hemisfério sul. Sem pestanejar, coloquei um montão de shorts, camisetas e regatas na mala. Nem cogitei em levar um casaco quente e muito menos luvas ou cachecol. Não deu outra: chegando em El Chaltén, o termômetro marcava 6ºC...e eu fiquei tiritando de frio e me chamando de besta, é claro.


El Chaltén é o paraíso do trekking e como não podia deixar de ser, um dos lugares da Patagônia argentina mais encantadores que há. A paisagem é de tirar o fôlego e não faltam trilhas, passeios, mirantes, itinerários e programas para todos os gostos e aptidões.



Na época, estava fazendo um tour explorando diversos recantos da região patagônica e El Chaltén era o nosso último destino. Ficamos hospedados no Los Cerros quando ainda se chamava apenas assim, hoje vi que adotou um Don e um Boutique pra ornamentar o nome, o que merece de certeza, porque o hotel é um charme em todos os sentidos.

A vista da suíte do Los Cerros sobre uma paisagem preciosa.

 A vista da nossa suíte era de babar, sobre o campo e a paisagem típica, um verde de doer os olhos e aqueles cumes nevados praticamente ao alcance da mão. As instalações, de modo geral, eram amplas e decoradas com extremo bom gosto, a comida deliciosa, enfim, um ambiente acolhedor e a localização afastada do centrinho porém suficientemente próxima para se caminhar até o comércio e as lojas.



Ah, ter encontrado as lojas de artigos esportivos  foi o que me salvou de congelar. Tive que comprar gorro, cachecol, anorak, suéter e meias...Pra poder pelo menos colocar o nariz do lado de fora. Bem, basta dizer que no dia seguinte, quando fomos fazer uma trilha até o topo de uma das montanhas, pegamos neve. Sim, neve... E rajadas de vento pra acabar com qualquer vontade de tirar o casaco.

Num outro dia, resolvemos dar uma volta a cavalo - lá eles alugam por hora, e você percorre um roteiro diferente das caminhadas. Onde vai o cavalo, não tem gente andando. Lá fomos nós, a minha égua tinha até um potrinho ao pé que a seguia ( nunca vi isso em cavalo de aluguel, mas vá lá...) e fizemos um passeio lindíssimo pelos descampados, beirando bosques, próximo a riachos e lagunas. Me lembro que apeamos para chegar mais perto de uma cachoeira , deu até vontade de cair, mas a água estava boa mesmo pra pinguins...

A guia fazendo alongamento depois de algumas horas de caminhada. O visual é variado e impressiona.


Cachoeiras, lagos e espelhos d´água, picos nevados, pedras e mais pedras pelo caminho... estas são as paisagens que você pode esperar em El Chaltén. E prepare-se também, pois as trilhas não são fáceis, ou no mínimo você leva umas 6 horas pra chegar ao destino e voltar. Leve uma mochila, sempre com  muita água, protetor solar, um sanduba ou algo pra comer, porque lá no meio do nada não tem nada mesmo. E um agasalho pra se prevenir da chuva que pode cair a qualquer momento, ou mesmo neve em pleno verão.  A natureza é inóspita ao mesmo tempo em que é fabulosa.


Afinal, você está em altitude e na natureza nada se prevê. Tem várias agências locais que oferecem guias e aconselho qualquer pessoa a contratar um, pois eles conhecem a região como a palma da mão e mesmo que você tenha um mapa pode facilmente se perder. E não acho uma idéia muito boa se perder por lá, porque vamos lembrar que existem animais selvagens por aquelas bandas.

Tudo é natureza, intocada, preservada, perfeita pra caminhar.